Passei uma semana usando o celular quinze minutos por dia e não enlouqueci

A gente ama a interwebz e não vive sem, mas usar o celular por menos horas por dia pode ter muitas vantagens.

Abrir os olhos de manhã, sentir o corpinho descansado e a barriga já dando sinais de que você precisa colocar pra dentro aquele café da manhã gostoso. Seria quase um ritual matinal de alguns povos antigos, se eu não tateasse com as mãos o móvel do lado procurando pelo companheiro de praticamente todos os momentos: o celular.

Este tem sido o meu ritual de basicamente todas as manhãs e já nem me lembro quando foi que a minha relação com o celular se transformou em algo tão automático e intenso, só sei que a vontade de querer fazer parte de tudo o tempo todo é REAL! Querendo diminuir essa minha ansiedade causada pelo smartphone, aceitei o desafio da Vivo de usar menos o aparelho, sim, sete dias vivendo como uma mulher das cavernas.

Pesquisei e descobri que a média de tempo do brasileiro no celular é de mais de três horas por dia – e que eu não fico muito atrás disso, rs –, então baixei um aplicativo para limitar o meu uso a uma hora diária pois já seria desafiador, né?! Mas ao mostrar o roteiro da experiência para meu querido amigo e diretor de criação aqui do BuzzFeed Brasil, ficou claro que ele queria se divertir com a minha dor:

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Bem, para começar a viver este desafio, a primeira coisa que fiz foi pesquisar apps que controlam o tempo no celular. Existem várias opções para todos os sistemas operacionais, e eu instalei um no qual é possível decidir qual o tempo limite de uso diário e quais são as funções que entram na restrição.

As regras eram:

  1. Um uso total limitado a quinze minutos diários, não importa o aplicativo ou função;

  2. Caso alguém me ligasse, eu atenderia, mas falaria somente o necessário.

Ou seja, eu que lute.

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

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Bem, assim como toda decisão importante, eu decidi procrastinar e começar só na segunda-feira, o dia em que com certeza eu passo mais tempo no celular, afinal, segunda. A primeira coisa que fiz ao acordar foi pegar o celular para curtir aquele monte fotos de pessoas felizes no final de semana, vídeos de gatinhos e de extração de cravos, mas não foi tão difícil deixar a timeline de lado, o complicado mesmo foi malhar sem poder ouvir minhas playlists no celular. Ouvir o som dos hits electro pop dos anos 2000 em looping da academia foi mais difícil do que correr 10km.

Além disso, no primeiro dia, eu e o crush nos desentendemos e infelizmente não pude resolver as coisas como uma pessoa madura faria: pelo zap zap. Tive que discutir a relação olho no olho como uma Australopithecus. Quando percebi, já tinha falhado e usado dezesseis minutos de celular – e ainda eram sete da noite. Neste dia, quando fui pra cama de noite, tive que dormir de verdade ao invés de ficar duas horas pesquisando coisas como qual a diferença entre sacada e varanda.

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

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Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

No segundo dia eu estava determinada, iria usar até menos de quinze minutos! Acordei e só chequei o horário, fui pra academia usando um mp3 player que lembrei que tinha encostado aqui em casa. O problema é que naquele dia eu teria que fazer alguns exames médicos e essa com certeza essa é uma ocasião em que eu uso muito o celular enquanto espero para ser atendida, mas levei um livro que estava lendo e fiquei bem tranquila. O atendimento demorou tanto que eu terminei o livro e precisei ler as revistas de fofoca para me ocupar. O lado bom é que agora eu sei tudo sobre quem foi visto em Copacabana com morenos misteriosos 👀.

Thiago Amarante / BuzzFeed Brasil

Neste dia eu até consegui marcar um encontro com um amigo que eu não via há muito tempo:

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Tenho vergonha em dizer isso, mas neste dia eu passei dezoito minutos no celular, falhando novamente no segundo dia :(

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Acordei no terceiro dia ansiosa e morrendo de medo de falhar de novo, afinal eu estava sendo desafiada a usar o celular por somente quinze minutos por dia, não dezesseis ou dezoito. Levantei da cama e fui enfrentar mais um momento em que uso muito o celular: fazer minhas necessidades enquanto curto joguinhos de celular. Agora, meu banheiro tem muitas revistas e livros, algo que não existia antes e que confesso que gostei bastante deste detalhe que se tornou parte da decoração de um banheiro hipster de São Paulo.

Thiago Amarante / BuzzFeed Brasil

A esta altura do campeonato, eu já estava em abstinência e minha melhor amiga estava ansiosa para me mostrar os lookinhos novos que ela comprou após a virada do cartão de crédito. Eu estava perdendo momentos importantes da vida dos meus amigos! Porém eu venci e passei quinze minutos cravados no meu querido celular.

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Na quinta-feira eu arrasei e passei apenas treze minutos do meu dia no celular, mas uma coisa que me chamou bastante a atenção foi o fato de que este dia também foi o meu recorde de vezes em que peguei o celular na mão: trinta e três vezes. Ou seja, mesmo reduzindo o uso, parecia que meu cérebro ainda estava ansioso e bastante condicionado a usar o celular a todo e qualquer momento, nem que fosse para checar a hora. Depois de quatro dias, meu amigo Dani não estava muito feliz:

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Detalhe importante, eu estou vivendo o início de um, digamos, rolo amoroso kkkkkk, e estamos naquela fase gostosa em que temos muito assunto e passamos o dia todo trocando mil mensagens.

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Foi difícil ter que mandar somente um "bom dia" ou "boa noite" pro meu consagrado, mas confesso que isso me fez refletir bastante sobre como o uso exagerado do celular às vezes coloca um muro entre as relações. Apesar da internet ter sim o poder de aproximar as pessoas, um uso mais consciente dela é essencial se a gente quer ter conexões mais humanas e verdadeiras com quem amamos. Trocar áudios é massa, mas foi legal ter uma conversa de verdade com reações mais espontâneas, recebi até uma pequena homenagem pelos velhos tempos de muitos áudios por dia:

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Na sexta-feira, já acordei irritada, pois o final de semana estava chegando e todos os planos geralmente acontecem nos grupos do zap, mas apesar dos deslizes iniciais, eu estava indo bem, o desafio estava terminando e eu precisava ser forte.

Voltando do trabalho, lembrei que eu precisava urgentemente ir ao mercado fazer compras e este é outro momento momento em que o celular faz uma falta danada. Poucas coisas são piores do que passar aqueles minutos que parecem anos na fila do caixa e geralmente o celular me distrai bastante nestas ocasiões. Abaixo uma imagem minha curtindo a sexta-feira:

Thiago Amarante / BuzzFeed Brasil

Neste dia, ultrapassei um minuto do meu limite diário e culpo 100% a fila do caixa 😡

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Finalmente chegou o momento que eu mais temia: um final de semana inteiro com apenas meia hora para usar o celular, felizmente, eu já estava bem treinada e me sentindo otimista.

Passei o sábado passeando com meu filho como fazemos todos os finais de semana, mas a diferença desta vez foi ter a minha atenção 100% voltada para aproveitar os momentos com ele. Percebi o quanto o nosso dia teve mais qualidade e isso me fez questionar ainda mais o meu vício neste pequeno retângulo que nos conecta a tudo. Durante o dia todo praticamente não usei o celular e quando estava voltando pra casa de noite, pude usar para algo realmente importante: tirar fotos de uma gatinha perdida na rua para divulgar no insta <3

Morram de amor com a gatinha que batizamos de panqueca:

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

Sabadão concluído com sucesso e usei apenas doze minutos do meu limite diário.

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

No domingo o dia foi tranquilo, li bastante, cozinhei e assisti vários episódios da série que estou acompanhando no momento e, pela primeira vez em muito tempo, não dividi minha atenção entre o celular e minhas atividades. Senti que até a qualidade dos momentos que passo comigo mesma melhorou, mas sete dias não foram o suficiente para parar totalmente de sentir que o mundo estava acontecendo sem mim e que talvez eu estivesse perdendo muitas coisas durante a minha semana de desafio. Mas a problemática real aqui nem foi tanto o celular, mas o uso exagerado que eu fazia dele.

Terminado o desafio, a primeira coisa que fiz foi checar os meus gráficos gerais de tempo no celular durante os sete dias que se passaram. A minha média foi de quatorze minutos por dia, pois apesar dos dias em que falhei, compensei com outros em que usei menos. No total, passei uma hora e quarenta e quatro minutos conectada durante uma semana inteira, ou seja, eu usei o celular praticamente metade do tempo que o brasileiro geralmente usa em um único dia!

Glauco Lima / BuzzFeed Brasil, Glauco Lima / BuzzFeed Brasil

E assim, tive duas conclusões depois de viver essa experiência.

A primeira e mais óbvia é, sem dúvida, o fato de que eu preciso repensar o meu uso exagerado do celular. Apesar da constante ansiedade e irritação, foi notável para mim como a qualidade de todas as minha interações melhorou. Até minha família e amigos notaram que estive mais presente e atenta durante jantares, almoços, eventos, etc.

Quando precisava mandar um zip zop, minhas mensagens eram muito mais objetivas e realmente importantes, além de focar muito mais em aproveitar o momento presente do que em compartilhar nas minhas redes sociais.

A segunda coisa que concluí é que quinze minutos por dia no celular são realmente muito pouco levando em conta meu estilo de vida. MAS usando com moderação, este aparelhinho pode melhorar demais nosso dia a dia, por exemplo, senti muita falta do meu app de meditação, das minhas playlists para me exercitar, de responder alguns e-mails para ganhar tempo no final do dia, chamar um táxi de madrugada ou pedir aquele delivery esperto no fim do domingão.

O desafio termina, mas a minha determinação em limitar o meu uso do celular, não. Não serão quinze minutos, mas não vou mais passar duas, três ou até quatro horas perdida nesta caixinha. Aprendi que para se conectar com pessoas, momentos e experiências, é preciso se conectar pra valer. E tudo bem se parte dessas conexões precisar de tecnologia para acontecer, afinal, tem hora pra tudo.

Obrigada Vivo por me dar esse empurrãozinho amigo <3

Gabriel Matos / BuzzFeed Brasil