Eu fugi do Brasil com meu filho para escapar do meu abusador

"Havia o risco do seu pai nos ouvir através daquela porta fina, o que só o deixaria mais furioso. Na minha cabeça, eu ensaiava minha fala: 'Por favor, envie um carro para mim e meu bebê. Temo por nossa segurança. Precisamos de algum lugar para passar a noite'."

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Enquanto seu pai esmurrava a porta dos fundos da casa e meu ouvido latejava, eu tentava encontrar as palavras certas em português para sussurrar no telefone.

"Não estou conseguindo te ouvir", disse a operadora, frustrada e provavelmente já esgotada com um turno que chegava às 3 da manhã. Com um suspiro, ela desligou.

Desesperada, disquei mais uma vez para o 180 – o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. A linha foi lançada em 2006, após a promulgação da Lei Maria da Penha, que aumentou as punições para atos de violência doméstica e estabeleceu mais medidas protetivas às suas vítimas.

"A lei Maria da Penha havia me inspirado a mudar – grávida e com um visto de turismo – dos Estados Unidos para o Brasil. Mas, agora, os motivos da minha mudança me pareciam tão frágeis quanto as ripas de madeira com as quais seu pai me ameaçava uma surra".

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Era a mesma lei que, antes, havia me inspirado a mudar – grávida e com um visto de turismo de 3 meses – dos Estados Unidos para o Brasil. Mas, agora, os motivos da minha mudança me pareciam tão frágeis quanto as ripas de madeira com as quais seu pai me ameaçava uma surra.

Furioso por eu ter descoberto no celular dele diversas mensagens que havia enviado a garotas do nosso bairro em São Paulo, ele começou a me xingar e rondar, fechando o cerco a cada passo. Quando em um arroubo ele saiu da casa, tranquei a porta o mais rápido possível.

Agora, eu andava de um lado para o outro em nosso pequeno quarto, enquanto você, então ainda um bebê, dormia na cama, indiferente às lembranças que assaltavam minha mente.


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Lembranças como:

Eu, sufocada no chão, sem conseguir respirar pelo peso dos braços do seu pai na minha barriga. Com seus 90 kg, ele tentava expulsar do meu corpo sua versão nascitura de apenas três meses, após eu ter expressado o desejo de sair para passear no parque com um amigo em uma tarde ensolarada.

Ele agarrando minha garganta e colocando em volta do próprio pescoço um cinto de couro – o presente que eu havia dado a ele naquele Natal – por algum motivo que sinceramente nem consigo me lembrar.

Um empurrão que me jogou no nosso sofá laranja, seguido por um chute na minha coxa direita que deixou manchas roxas sob minha pele como um vinho diluído em água.

Csa-printstock / Getty Images

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Dedos do pé sangrando após eu ter escorregado e batido na armação de metal da cama enquanto fugia de mais uma briga.

Eu perambulando pelas ruas vazias de uma cidade cinza, um hemisfério de distância da minha família, em meu primeiro Natal no Brasil. Sozinha – você ainda estava aninhado dentro da minha barriga esticada de oito meses de gestação.

Seu pai me encontrando agachada nos degraus do Metrô Sacomã, erguendo meu queixo com a ponta dos dedos e prometendo que seria uma pessoa melhor pela nossa família. Ali, onde tínhamos nos conhecido anos antes, me agarrei ao que me restava de amor por este homem de ombros largos e coração enorme que tinha me trazido tanta dor e alegria. Mas, neste amor, permaneceria o medo.

Então, a sensação de fogos de artifício saindo do corpo que se abria para trazer o peso e a dor de uma nova vida ao mundo. Você, uma coisinha coberta de muco, enrugada e ensanguentada, berrando a plenos pulmões, como se lembrasse dos gritos em que eu implorava a seu pai para que parasse.

Violentas brigas chegando ao fim enquanto eu encarava noites insones típicas da maternidade.

Eu te colocando em seu berço azul, as mãozinhas ansiosas e inocentes de seu irmão mais velho e seus primos fazendo carinho em seus dedos e barriguinha.

Seus primeiros balbucios e chutinhos no ritmo da batucada de Carnaval.

Suas perninhas lambuzadas de protetor solar na areia de uma praia do Atlântico.

Um bolo de prestígio caseiro – e um pouco torto – que eu havia feito para comemorar seu primeiro aniversário e o de 29 anos do seu pai.

Os olhares tristes e cúmplices dos seus primos ao me verem cobrir o rosto enquanto ouvia os insultos do seu pai.

Lembranças deles te ensinando a secar as lágrimas de minhas bochechas com suas mãozinhas gorduchas e eles subindo no meu colo para me consolar.

Suas tias e sua avó me repreendendo pelas manchas verde-azuladas e roxas nos meus braços. Para elas, os machucados eram o resultado de eu ser uma pessoa "difícil" quando seu pai passava por momentos de estresse e da minha inabilidade de satisfazer o frágil ego masculino dentro e fora da cama.

Arquivo pessoal

Katherine e o filho enquanto ainda viviam no Brasil

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Fechei meus olhos a essas lembranças enquanto esperava meu telefonema ser atendido. Tentei trazer à minha mente uma imagem simples, um diagrama que havia visto no meu feed de notícias do Facebook. Era um círculo de três fases conectadas por setas: um ciclo.

Fase 1: A escalada de tensão. Um dos parceiros isola o outro de seus amigos e família, faz ameaças, abusa emocionalmente, destrói bens comuns ou cria uma dependência financeira total. A "vítima" passa a viver constantemente com medo do "abusador".

Fase 2: Explosões de violência. Agressões físicas ou verbais, autoagressão em frente a(o) parceiro(a). A vítima se protege e protege as crianças, tenta chamar a polícia, tenta fugir do local. Revida.

Fase 3: A fase de lua de mel. Arrependimento, súplicas de perdão, juras de amor, promessas que a agressão nunca mais vai se repetir. A vítima volta ao abusador, talvez suspenda ações judiciais, busca aconselhamento para o parceiro, tenta seguir em frente. Um período de calmaria pode ocorrer antes de uma nova escalada de tensões, e o ciclo se repete.

Embora as explosões de violência estivessem claras na minha consciência, com cada período de conflito deixando novas marcas no meu corpo e espírito, o diagrama abriu meus olhos, pela primeira vez, para a natureza calculada da prisão que havia se tornado meu relacionamento com seu pai.

Um cálculo passado por gerações que tinham vivido este mesmo ciclo, com demonstrações de poder e controle sobre o sexo mais frágil, com tanto o abusador quanto o abusado sendo vítimas da masculinidade tóxica.

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"Percebi como seu pai havia me isolado, começando brigas toda vez que eu planejava ver outras pessoas, dizendo que não gostava de quem eu me tornava quando estava com meus amigos".

Eu reconheci como seu pai havia me isolado da minha comunidade, começando brigas toda vez que eu planejava ver outras pessoas, dizendo que não gostava de quem eu me tornava quando estava com meus amigos. Então, é claro, vinham as muitas fases de lua de mel, ainda que pequenas e marcadas por ressentimento, exaurindo a força emocional que eu precisava para lidar com meus vários empregos entre suas amamentações e sonecas.

E, como abrir uma conta bancária no Brasil sendo estrangeira pode ser muito complicado, todas as minhas remunerações como jornalista freelancer iam para a conta do seu pai, à qual eu não tinha acesso. Comigo, eu só tinha trocos em dinheiro que tinha escondido na minha gaveta de roupa íntima – e foi com isso que eu contava pagar os muitos advogados que consultei ao longo de meses.

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Desde que eu tinha visto aquele diagrama, meses atrás, o consultei repetidas vezes. De início, em choque. Como aquela série de setas conseguia descrever com tanta precisão o que estava acontecendo na minha casa? Depois, com determinação. Presa em um ciclo que afeta 3 em cada 5 mulheres jovens (entre 16 e 24 anos) no Brasil, segundo dados de uma pesquisa do Data Popular encomendada pela Avon, me dei conta de que não estava sozinha no meu medo e desespero. Com as palavras para descrever minha situação, veio também a coragem para sair dela. Para fugir.

Eu temia e tentava prever a resposta da operadora com um nó na barriga. Havia o risco do seu pai nos ouvir através daquela porta fina, o que só o deixaria mais furioso e traria o inferno para nós quando ele a arrombasse. Na minha cabeça, eu ensaiava minha fala: "Por favor, envie um carro para mim e meu bebê. Temo por nossa segurança. Precisamos de algum lugar para passar a noite." Eu tinha a esperança de que, dessa vez, a atendente conseguisse entender meus sussurros de apelo apesar do barulho dos socos na porta.

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Nadia_bormotova / Getty Images

Quando finalmente me atenderam, tentei mais uma vez sussurrar um pedido de socorro inteligível. No entanto, seu pai entendeu o que estava acontecendo e, antes que eu terminasse, gritou ordenando que eu desligasse o telefone. Sabendo que não tinha mais tempo, desisti da ligação e comecei a jogar fraldas em uma sacola de academia. Eu rezava baixinho para reunir coragem, mandando mensagens de socorro telepáticas a todas as pessoas que eu amava e estavam a um continente de distância pedindo força e apoio.

Coloquei nossos passaportes e todo dinheiro que eu tinha guardado desde seu nascimento em uma pasta entre as blusas e as meias. Tentando reunir forças, encostei meu rosto em sua barriga e inspirei enquanto ouvia o ritmo da sua respiração. Antes que eu levantasse minha cabeça, os murros na porta cessaram e caí no sono, respirando no ritmo do seu pequeno corpo.

Só acordei com o estrondo da porta finalmente cedendo, passos e gritos levando o perigo para mais perto a cada milissegundo. Eu te agarrei em meus braços e peguei a sacola, preparada para encarar meu maior medo. Seu pai me empurrou e te arrancou de mim – interrompendo seu sono inocente com luzes brilhantes e sons raivosos – mas lutei para te ter de volta, seu corpo contorcido com dor e medo. A violenta troca ficaria registrada em manchas roxas em suas costas.

Foi aí que, com uma força e resistência que não sabia existirem dentro de mim, passei por seu pai e consegui chegar até a porta com você abraçado contra meu peito, ignorando gritos de posse e exibições de masculinidade. Quando subi a rua, o sol já estava nascendo. Peguei o primeiro ônibus que vi e viajamos por horas, até minhas coxas ficarem insensíveis às ruas esburacadas e, com a boca colada em meu peito, seus olhos finalmente fecharem às memórias da noite.

Eu havia tomado uma decisão sem volta. Eu não podia voltar ao lugar que tinha todas as lembranças materiais e o conforto de um lar, mas também o risco eterno de violência física e manipulação emocional. Eu só podia seguir adiante, tentando encontrar abrigos para famílias, um advogado amigável e que eu pudesse pagar, as gigantescas filas de atendimento das delegacias da mulher.

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Passei horas conversando com outras mulheres que haviam sido abusadas por seus parceiros, pais, tios, vizinhos – até mesmo pelos próprios filhos. Fizemos amizades breves, mas intensas, escutando umas às outras enquanto nossos filhos brincavam juntos, imaginando um mundo sem delegacias e filas de mulheres despedaçadas.

Logo descobri que, mesmo que eu ganhasse a longa batalha por sua guarda, ainda precisaria do consentimento assinado e reconhecido em cartório do seu pai toda vez que viajássemos para fora do Brasil. Sem isso, eu poderia ser detida e as autoridades te levariam de volta ao seu pai.

Esta possibilidade assustadora me assombrava em todos os momentos incertos das nossas primeiras semanas de fuga – enquanto eu te dava banhos frios nas pias de banheiros públicos do metrô, quando te amamentava na calçada sob um sol avassalador –, já que a ameaça do seu pai de chamar a polícia e me acusar de sequestro continuava ecoando na minha cabeça. A possibilidade de te perder para sempre continuava voltando à minha mente.

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Uma antiga aluna minha me pôs em contato com uma advogada especializada em situações de violência doméstica. A advogada pegou nosso caso cobrando uma fração do valor que outros profissionais estavam pedindo. Após negociar com seu pai, ela conseguiu redigir um acordo de guarda que nos permitiria viajar aos EUA, onde minha irmã – sua xiaoyi (nota da tradução: irmã caçula da mãe, em mandarim, língua da família da autora) – nos esperava em Nova York. As únicas condições é que teríamos que visitar o seu pai antes de viajarmos e depois retornar ao Brasil duas vezes por ano para que você pudesse vê-lo.

Foi assim que, semanas após aquela noite no quarto, fizemos nossa última viagem à sua primeira casa neste mundo, aquele lar ensolarado num morro de muitas casinhas coloridas. Quando chegamos, a família do seu pai se recusou a me olhar nos olhos, se voltando inteiramente para você – que engatinhava e demonstrava toda sua curiosidade e alegria pelo olhar.

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"Quando o táxi chegou, seu pai me encurralou e forçou sua boca na minha. Você observava tudo silenciosamente no banco de trás. Tentei não gritar e o empurrei com força para conseguir abrir a porta do carro. Te peguei no colo e pedi para o motorista seguir viagem. (...) Não me atrevia a olhar por trás. Eu já tinha medo o suficiente da imagem do seu pai e não precisava vê-lo uma última vez. Além disso, não quis correr o risco de perder a coragem de fugir"


Coloquei o máximo de roupas, fotos e documentos que consegui em uma mala. Quando o táxi chegou para nos buscar, seu pai me encurralou e forçou a boca na minha. Você observava tudo silenciosamente no banco de trás. Tentei não gritar e o empurrei com força para conseguir abrir a porta do carro. Te peguei no colo e pedi para o motorista seguir viagem. Embora sentisse o olhar dos seus primos atrás de nós, mandando beijos através da grade da garagem, não me atrevia a olhar para trás. Eu já tinha medo o suficiente da imagem do seu pai e não precisava vê-lo uma última vez. Além disso, não quis correr o risco de perder a coragem de fugir, de deixar essa família que tanto amei em busca de uma vida mais segura e saudável.

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Sinceramente, espero que um dia seu pai reconheça todos os males que nos causou – e ainda causa a seus próximos – e esteja pronto para lidar com essas cicatrizes e cultivar um relacionamento com seu segundo filho. Eu sonho com o dia em que poderemos voltar para o Brasil e que você poderá abraçar seu irmão, seus primos, sua avó, seus tios e tias. Em que você poderá conhecer seu sangue e sua terra.

No entanto, também reconheço os riscos do que pode parecer uma reconciliação sincera, mas não passa de um retrocesso ao ciclo de violência e subjugação a um abusador. Lutei muito para escapar dessa prisão e continuarei lutando para sermos realmente livres.

Nos últimos 18 meses, participei de sessões semanais de terapia para combater minha própria dependência psicológica e emocional a esse ciclo de violência. Também te levei a sessões de terapia para entender se suas explosões emocionais eram só birras típicas de um menininho de dois anos ou a mimetização da violência que você presenciou. Participamos de sessões de terapia em grupo com outras mães e famílias que compartilharam conosco seus traumas, sua jornada e seu encorajamento.

Lentamente e cuidadosamente, aprendi a me perdoar por ter sido uma "vítima", a me amar por ser uma sobrevivente e encontrar maneiras de desfrutar da maternidade apesar dos demônios que me assombram por ter te privado da sua primeira casa. Às vezes dói ver como você se parece com seu pai. Mas tento me lembrar que hoje só somos livres pelas escolhas que fiz. Livres do medo de ataques de fúria infundados. Livres do falso afeto que se expressa pelo ciúme, possessão e domínio físico.

Eu fugi para ter a liberdade de ter uma nova família e para descobrir noções saudáveis de amor, masculinidade, beleza feminina e força.

Conforme chegamos ao nosso segundo aniversário de autolibertação e de quebra de ciclo, me alegro ao ver a comunidade que criamos e cultivamos ao redor de nossa pequena família. Uma tribo de sobreviventes, de guerreiros e guerreiras destemidos que rejeitam qualquer estrutura binária de gênero e que lutam por um mundo em que você possa cultivar seus desejos e afetos sem medo.

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"Um dia você vai pedir que eu te conte a história de como deixamos a única família que você conhecia para trás. E eu te contarei como nada disso esteve nos meus planos, como fui forçada a escolher um caminho. E eu escolhi sobreviver; eu escolhi você".

Meu amor, um dia você vai pedir que eu te conte a história de como deixamos a única família que você conhecia para trás. Como fomos da areia quente da praia até um cenário de gigantes de concreto cortando o céu. E eu te contarei como nada disso esteve nos meus planos, como fui forçada a escolher um caminho. E eu escolhi sobreviver; eu escolhi você.

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Escrevo este relato para você, meu filho, mas também para nós: as mães que tomaram a apavorante decisão de desterrar suas famílias em busca de segurança, que reuniram a força necessária para revidar – algumas encarando a prisão pelo ato básico de defender suas vidas. Sobreviventes de idades, sexualidades e gêneros diversos, que estão começando a reconhecer que a violência contra nós é parte de um cenário de violência social maior, mais do que "coisas que acontecem" e que devem ser toleradas. Ter sobrevivido a um relacionamento violento com um parceiro íntimo, assim como sobreviver a uma tentativa de estupro por um conhecido ou a violência sexual no trabalho, não define minha identidade – nem está fora dela.

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"Escrevo este relato (...) também para nós: as mães que reuniram a força necessária para revidar – algumas encarando a prisão pelo ato básico de defender suas vidas. Sobreviventes de idades, sexualidades e gêneros diversos, que estão começando a reconhecer que a violência contra nós é parte de um cenário de violência social maior, mais do que 'coisas que acontecem' e que devem ser toleradas".

Tomozina / Getty Images

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Futuros empregadores podem googlar meu nome e encontrar este ensaio, talvez decidam não me contratar como resultado disso. Perdi amigos próximos por deixar para trás meu último relacionamento, e posso perder mais alguns depois que este texto for publicado. Tudo isso me machuca, mas eu tenho que aceitar que é assim. Eu sustento minhas decisões. Fiz o que eu tinha que fazer para permanecer viva e ser sua mãe.

Seu pai e a família dele podem ler isso e ficar chateados por eu ter "lavado a roupa suja" em público, ou acreditar que estou exagerando ou mentindo. Gostaria que eles soubessem que os amo e sinto bastante a falta deles. Estou apenas contando a história que vivi. Somos todos vítimas de uma sociedade que permite que abusos apodreçam as famílias de dentro para fora, e perpetua o abuso convencendo a gente a se sentir envergonhada, em vez de discutirmos abertamente os conflitos e buscarmos ajuda quando mais precisamos.

Sobre todas as outras, considerei a possibilidade de você, minha criança, lendo esse texto um dia e se ressentindo por eu ter compartilhado nossas experiências pessoais. Mas aí eu me lembro que meu trabalho de uma vida como mãe – e como jornalista, educadora e sobrevivente – é te mostrar como nossa história não é só nossa. E se temos o privilégio de contá-la, é o que devemos fazer.

Tradução por Luisa Pessoa.

O BuzzFeed Brasil está comemorando o Dia Internacional da Mulher com uma semana de posts e vídeos para educar sobre o feminismo e celebrar as mulheres e a sororidade. Leia mais aqui.

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