Andadores de bebês são perigosos e devem ser proibidos, dizem pediatras

Mais de 230 mil bebês deram entrada em prontos-socorros nos EUA por conta de lesões relacionadas ao uso de andadores entre 1990 e 2014.

Image Taken By Mayte Torres / Getty Images

Os andadores de bebês podem parecer inofensivos, mas, todos os anos, milhares de crianças vão parar no pronto-socorro com lesões relacionadas a andadores — geralmente por terem caído de escadas usando o produto — apesar das advertências e das exigências de segurança. Pediatras dizem que o risco que os andadores oferecem é tão alto que o produto deveria ser proibido nos EUA.

Estima-se que 230.676 crianças com menos de 15 meses de idade deram entrada em prontos-socorros por conta de lesões ligadas a andadores nos EUA entre 1990 e 2014, de acordo com um novo estudo publicado pela revista Pediatrics. A maioria das crianças sofreu lesões na cabeça e no pescoço. Quase 75% delas se feriram ao cair da escada.

Andadores para bebês são dispositivos com rodas e um assento suspenso com aberturas para as pernas que permitem que os bebês — geralmente entre 5 e 15 meses de idade — se locomovam sozinhos enquanto não conseguem andar por conta própria.

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Os diagnósticos mais comuns entre as crianças que foram parar no pronto-socorro foram lesões como distensões, concussões e cortes — geralmente na região da cabeça ou do pescoço. Algumas crianças sofreram lesões graves como fratura do crânio ou trauma cerebral.

No entanto, isso não significa que os pais devem apenas bloquear o acesso das crianças a escadas usando grades. Pesquisadores descobriram que a segunda causa mais comum de lesões foi a criança caindo do próprio andador.

Os bebês também sofrem as chamadas lesões por proximidade, como queimaduras ao tocar um forno quente ou envenenamento ao ingerir produtos de limpeza, pois eles ganham mais mobilidade com os andadores do que as pessoas imaginam. "Andadores para bebê também dão acesso a ambientes e objetos que, do contrário, não estariam ao alcance das crianças", escreveram os autores do estudo.

Em outro estudo da Academia Americana de Pediatria (AAP), pesquisadores descobriram que 34 crianças morreram após acidentes com o andador entre 1973 e 1998.

"Houve acidentes com os andadores desde que eles foram introduzidos no mercado. Apesar de terem sofrido modificações de segurança ao longo dos anos, eles continuam sendo perigosos", diz Katie Lockwood, médica do Hospital Infantil da Filadélfia.

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Durante meados dos anos 1990, a conscientização com relação a acidentes com andadores aumentou, e grupos fizeram campanhas para banir os dispositivos. Muitos foram substituídos por centros de atividade fixos, que permitiam às crianças se balançar ou pular sem se locomover. Em 1996, uma das primeiras normas de segurança foi revisada para exigir que os andadores fossem mais largos do que as portas e incluíssem um freio.

Tudo isso contribuiu para uma queda de 85% no número de lesões relacionadas aos andadores para bebês entre 1990 e 2003, de acordo com o estudo. Embora a queda nas lesões durante esse período tenha sido considerável, milhares de crianças ainda são feridas pelos andadores todos os anos.

Entre 2004 e 2008, oito crianças morreram devido a lesões com andadores, de acordo com a Comissão Americana de Segurança de Produtos ao Consumidor (CPSC, na sigla em inglês). Ainda assim, andadores desatualizados ainda são vendidos e usados.

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Embora os andadores sejam muitas vezes anunciados como produtos para ajudar o desenvolvimento das crianças, a AAP afirma que eles "não fornecem nenhum benefício substancial" e são "fonte de lesões". Assim, a AAP recomenda o banimento da fabricação e da venda de andadores para bebês nos EUA — assim como o Canadá, que os proibiu em 2004.

A Sociedade Brasileira de Pediatria desde 2013 também faz campanha contra os andadores infantis, que ainda são comercializados no Brasil.

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A tradução deste post (original em inglês) foi editada por Luísa Pessoa.

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