3 razões pelas quais o Dia do Orgulho LGBT é fundamental no Brasil

Ainda somos obrigados a lidar com a violência das ruas e homofobia na TV.

Nesta segunda-feira (28), comemora-se o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Mas, por mais que tenhamos motivos para comemorar, em um país como o Brasil, ainda há muito pelo que se lutar. E, para quem reclama que temos um entre 365 dias para celebrar o orgulho, mostramos a seguir três razões pelas quais é fundamental que essa data siga existindo.

1. A LGBTfobia segue matando e interrompendo futuros brilhantes.

Reprodução/Instagram

Na última terça (22), o Brasil fez mais uma vítima da homofobia: Gabriel, de 22 anos, foi assassinado em Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo. A história viralizou nas redes sociais com a hashtag #JustiçaporGabriel. "Ele foi assasinado a sangue frio com três tiros na cabeça, dentro de uma barbearia", afirmou seu namorado. "Mataram ele pelo que ele é, por ele ser feliz, por ele amar uma pessoa de coração puro, que não tinha maldade com ninguém, que sempre estendia a mão para ajudar o próximo. Parem de nos matar. Eu só peço justiça."

Nas redes sociais, Miley Cyrus, de quem Gabriel era fã, chegou a fazer um post lamentando sua morte.

Aos 22, Gabriel tinha uma vida inteira pela frente. Sua história foi barbaramente interrompida.

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2. A população trans ainda é duramente perseguida e segue vulnerável.

Reprodução/G1

Na madrugada da última quinta-feira (24), no Recife (PE), a travesti Roberta foi alvo de um crime bárbaro: um adolescente ateou fogo em seu corpo. Chocante, o crime escancara uma dura realidade para a comunidade trans, ainda muito vulnerável em um país como o Brasil. Além de ter acesso ao mercado de trabalho dificultado, transgêneros ainda são alvo de uma violência tremenda.

Segundo o último boletim médico, Roberta teve um dos braços amputados e está internada em estado grave.

Até quando esse tipo de crime vai seguir fazendo parte do cotidiano da população trans? Há muito o que se avançar na questão. E ainda tem desaplaudido que sai por aí falando que essas pessoas, que já são alvo de ódio a todo tempo, buscam "privilégios". Vão catar coquinho!

3. Homofobia e desinformação na TV.

Sikera Jr.
Sikera Jr.

Reprodução/RedeTV!

Na última sexta-feira (25), Sikêra Jr., apresentador do programa "Alerta Nacional", da RedeTV!, decidiu fazer um editorial em seu programa para atacar a comunidade LGBTQIA+ por causa da publicidade do Burger King, que mostra que crianças sabem perfeitamente como lidar com a diversidade. "Vocês não têm filhos, vocês não vão ter filhos. Vocês não reproduzem, não procriam e querem acabar com a minha família e com a família dos brasileiros. Vocês são nojentos", afirmou o âncora desinformado, que ainda classificou gays como "raça desgraçada".

Importante ressaltar o óbvio em tempos sombrios: LGBTs não só "procriam" como têm famílias e também as formam.

Em pleno 2021, é SURREAL que uma emissora de TV, concessão pública, coloque no ar um discurso que promove o ódio. Não é possível que alguém preconceituoso tenha microfone aberto para falar a todo o país.

A Aliança Nacional LGBTQI+ promete entrar na Justiça contra Sikêra.

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Há muito o que se conquistar.

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