O avanço veio: nunca tivemos tantas mulheres em uma Olimpíada

A participação feminina transformou a história dos esportes, mas ainda há desafios.

BuzzShe

É fato que os Jogos Olímpicos de Tóquio resgataram um sentimento patriota nos brasileiros, basta acessarmos as redes sociais para perceber como muitos esportistas se tornaram os assuntos mais comentados nesses últimos dias.

Getty Images

Seja pelas manobras de skate da pequena Rayssa Leal, a maestria da Rebeca Andrade na ginástica artística ou até a força da judoca Mayra Aguiar, o Brasil está fazendo história ao lado de mulheres medalhistas. 

Pela primeira vez nas Olimpíadas temos uma edição onde quase 50% dos competidores são mulheres. É importante, porém, ressaltar que essa história nem sempre foi assim, pois durante muitas décadas a presença feminina nas Olimpíadas da Grécia Antiga era algo expressamente proibido tanto nas competições, quanto nas torcidas também.

As mulheres não eram consideradas cidadãs e eram nomeadas de “persona non grata”, termo derivado do latim para se referir às pessoas desagradáveis, que não eram bem vindas ou queridas. 

Com a modernidade e o avanço de algumas pautas identitárias, muitas mulheres passaram a se manifestar diante dessa proibição, porém foi apenas em 1900, durante as Olimpíadas de Paris, que contamos com a presença de representantes femininas nas competições. 

Pesquisadores acreditam que a resistência da aceitação da mulher nos esportes era fruto de alegações dos próprios idealizadores dos jogos, como é o caso de Pierre de Coubertin, que sempre se posicionou contrário à presença feminina.

Ele acreditava que o corpo de um atleta estava extremamente ligado ao corpo masculino, enquanto o corpo da mulher era por sua vez feito para executar as tarefas domésticas. 

 “É indecente ver mulheres torcendo-se no exercício físico do esporte”.

Diante tanto preconceito, machismo e enfrentamentos, o número de mulheres nas Olimpíadas sempre oscilava muito ao longo do tempo. Um gráfico produzido por Pedro Catunda nos ajuda a entender parte desse contexto e nos faz refletir sobre a importância de algumas mulheres nesse processo de resistência.

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A primeira mulher a conquistar uma medalha nos jogos olímpicos foi a tenista britânica, Charlotte Cooper em 1900.

Reprodução/Internet

Ela era na época uma tricampeã de Wimbledon e ganharia ainda mais dois títulos do torneio nos anos seguintes. Já a primeira brasileira a participar das olimpíadas foi a Maria Lenk, durante os Jogos Olímpicos de Verão em 1932. Ela era uma grande nadadora, conhecida por estabelecer um recorde mundial na História do Brasil e por ser a principal precursora da natação, pois foi ela a primeira mulher a usar o nado borboleta em competições internacionais. 

Maria se tornou durante anos a principal nadadora brasileira e foi a única mulher do nosso país introduzida no chamado Swimming Hall of Fame, um renomado salão da fama dedicado apenas aos grandes esportistas mundiais. Apesar dos seus grandes feitos, ela não chegou a ser medalhistas e o Brasil só conquistou sua primeira medalha de ouro feminina com vôlei de praia em 1996.

Antes disso, a brasileira Aída dos Santos foi, em 1964, a única mulher da delegação nos Jogos de Tóquio 1964 e conquistou o 4° lugar na categoria salto em altura.

Reprodução/Internet

Além dessas mulheres fundamentais para história do esporte, muitas outras ajudaram a revolucionar esse contexto e fica até difícil pontuar tantos nomes por aqui. 

Ainda que a presença feminina em todas as modalidades das olimpíadas é algo ainda recente e só tenha ocorrido durante os Jogos de Londres, em 2012. Estamos reescrevendo parte dessa história esse ano e segundo o próprio COI (Comitê Olímpico Internacional), possuímos atualmente a maior delegação feminina de todos os últimos jogos.

É fato que temos muito ainda a cumprir para mudar essa realidade, porém se faz importante olharmos para parte desses momentos pensando novas possibilidades para mulheres nos esportes e onde quisermos estar. 

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