Ryan Coogler, diretor de Pantera Negra, homenageou Chadwick Boseman com uma linda declaração

A declaração de Coogler se soma à imensa demonstração de luto e homenagens a Boseman após sua morte, incluindo mensagens de colegas de cena do filme "Pantera Negra".

Ryan Coogler e Chadwick Boseman no tapete vermelho de "Pantera Negra"
Ryan Coogler e Chadwick Boseman no tapete vermelho de "Pantera Negra"

Tolga Akmen / Getty Images

Ryan Coogler, diretor e corroteirista de "Pantera Negra", da Marvel, publicou no domingo uma homenagem emocionada ao protagonista do filme, Chadwick Boseman, que morreu de câncer de cólon na sexta-feira.

Coogler cedeu seu depoimento a diversos veículos de mídia no domingo, dando primeiro suas condolências à família de Boseman.

Ele contou que sua primeira interação com o ator foi quando assistiu a filmagens — na época inéditas — de Boseman em "Capitão América: Guerra Civil", enquanto se decidia se iria dirigir "Pantera Negra".

"Foi naquele momento que eu decidi que faria o filme", Coogler escreveu. "Assim que a personagem de Scarlett [Johansson] foi embora, Chad e John [Kani] começaram a conversar em uma língua que eu nunca ouvi antes. Soava familiar, cheia dos mesmos cliques e estalos que algumas crianças negras fazem nos Estados Unidos. Os mesmos cliques pelos quais éramos repreendidos [quando fazíamos] por ser errado e desrespeitoso. Mas aquilo tinha uma musicalidade que transmitia uma sensação antiga, poderosa, africana."

Coogler escreveu que ficou impressionado ao saber que a língua que os dois falavam era xhosa, língua materna de Kani, e que Boseman havia aprendido o idioma naquele dia. O ator, mais tarde, insistiu para que seu personagem, T’Challa, falasse com um sotaque africano. Xhosa se tornou a língua de Wakanda no filme, escreveu Coogler.

Quando conheceu Boseman em pessoa, em 2016, depois de contratado para o filme, Coogler disse que se conectou imediatamente com o ator pelas semelhanças em suas vidas e pela visão que compartilhavam para o filme.

Coogler disse que Boseman era uma "pessoa especial", que sempre acreditou no projeto:

Ele falava frequentemente sobre sua herança cultural e sobre o que é ser africano. Enquanto se preparava para o filme, ele ponderava cada decisão, cada escolha, não só pelo impacto que teriam nele, mas pela repercussão que essas escolhas teriam. "As pessoas não estão prontas para isto... para o que estamos fazendo..." “Isto é Star Wars, é Senhor dos Anéis, mas é para nós... e é ainda maior!" Ele dizia isso para mim enquanto nos esforçávamos para filmar as cenas dramáticas, fazendo hora extra em cima de hora extra. Ou enquanto ele estava coberto de tinta corporal, fazendo suas próprias coreografias de ação. Ou mergulhando em água gelada ou sobre colchões de espuma. Eu acenava a cabeça e sorria, mas não acreditava nele. Eu não tinha ideia se o filme daria certo. Eu não tinha certeza se sabia o que estava fazendo. Mas eu olho para trás e percebo que Chadwick sabia de algo que nós não sabíamos. O foco dele estava no futuro. Tudo enquanto trabalhava duro. E como trabalhava.

Coogler disse que ficou arrasado por Boseman não poder participar do próximo filme "Pantera Negra", dizendo que "passou o último ano preparando, imaginando e escrevendo palavras para o ator dizer, palavras que não estávamos destinados a ver". Ele disse que não sabia que Boseman estava com câncer antes de sua morte.

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Coogler e Boseman no painel de "Pantera Negra"
Coogler e Boseman no painel de "Pantera Negra"

Han Myung-gu / Getty Images

"Chadwick dava grande valor a sua privacidade, e eu não sabia dos detalhes de sua doença", escreveu. "Quando a família do ator publicou a declaração, eu soube que ele conviveu com a doença durante todo o tempo em que nos conhecemos. Por ser uma pessoa que cuidava dos outros, um líder, um homem de fé, dignidade e orgulho, ele poupou seus companheiros de trabalho do seu sofrimento. Ele viveu uma vida belíssima. E fez enormes contribuições para a arte. Dia após dia, ano após ano. Era assim que ele era."

Coogler concluiu:

Nas culturas africanas, nós muitas vezes nos referimos aos entes queridos que já faleceram como ancestrais. Às vezes, você tem um laço de sangue com eles. Às vezes, não. Eu tive o privilégio de dirigir cenas do personagem de Chadwick, T'Challa, se comunicando com os ancestrais de Wakanda. Nós estávamos em Atlanta, em um galpão abandonado, com telas de fundo azul e luzes de filmagem, mas a atuação de Chadwick fez tudo aquilo parecer real. Eu acho que foi porque, desde quando o conheci, os ancestrais falavam através dele. Não é segredo para mim, agora, como ele conseguiu interpretar tão bem alguns dos nossos ancestrais mais estimados. Eu não tinha dúvida alguma de que ele continuaria nos agraciando com tantos mais. Mas é com o coração pesado e uma profunda gratidão por ter estado na presença dele, que eu tenho que aceitar o fato de que Chad agora é um ancestral. E eu sei que ele vai olhar por nós, até o dia em que nos encontrarmos de novo.

A declaração de Coogler se soma à imensa demonstração de luto e homenagens a Boseman após sua morte, incluindo mensagens de colegas de cena do filme "Pantera Negra".

A mãe de Boseman no filme, Angela Bassett, compartilhou inúmeras fotos dos dois juntos nas redes sociais, escrevendo: "Chadwick e eu estávamos destinados a nos conectar, a ser uma família".

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Sterling K. Brown escreveu que "não tinha palavras", acrescentando: "obrigado por tudo que fez enquanto estava aqui".

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Danai Gurira escreveu que Boseman era "zen, gentil e engraçado" e "fazia todos se sentirem amados, ouvidos e reconhecidos".

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E Letitia Wright simplesmente escreveu: "isso dói, dói demais".

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Este post foi traduzido do inglês.

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