Ladrão, canalha e cheirador: os insultos que senadores trocaram no impeachment

Climão no primeiro dia do julgamento do impeachment: marido de Gleisi (PT-PR) foi chamado de "assaltante de aposentado", Caiado (DEM-GO) de explorador de trabalho escravo e Lindbergh de usuário de cocaína. E não tem dia para terminar.

A fase final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) começou nesta quinta (25) com um arranca-rabo entre senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO), a favor da saída da petista, e Lindbergh Farias (PT-RJ).

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Assista ao vídeo, publicado pelo jornal O Globo.

A confusão começou quando a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) discursava e disse que nenhum dos senadores pró-impeachment "tinha moral" para derrubar Dilma.

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Ronaldo Caiado (DEM-GO) ficou furioso. Ele foi ao microfone e rebateu a petista, insinuando que o marido dela é "assaltante de aposentados".

O ex-ministro Paulo Bernardo, marido de Gleisi, foi preso na Operação Lava Jato sob suspeita de operar um esquema de desvios em contratos de empréstimos consignados para servidores públicos.

Gleisi devolveu na mesma moeda: disse que Caiado explora trabalho escravo em suas fazendas.

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Foi aí que Lindbergh, um dos senadores mais combativos, entrou na briga. Aos berros, disse que Caiado é um "canalha" e tem relações com o jogo do bicho em Goiás.

Disse o petista: "Demóstenes é que sabe da sua vida". O ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) perdeu o mandato por ter ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Demóstenes diz que a campanha de Caiado foi financiada pelo contraventor.

Caiado não deixou barato, e deixou subentendido que o petista é usuário de cocaína. "Você tem que fazer antidoping. Fica cheirando aqui, não!"

O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que está presidindo o julgamento, resolveu suspender a sessão por causa dos ânimos acirrados.

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À tarde, os senadores começam a ouvir testemunhas de defesa e de acusação. Na quarta, parlamentares da base de Temer fecharam acordo para acelerar o processo e encerrar essa parte na sexta. A ordem é restringir as perguntas.

Já na segunda-feira (29), é esperado o momento mais dramático do julgamento. O depoimento da presidente afastada, acusada de crime de responsabilidade fiscal. Só depois dessa parte é que poderá ocorrer a votação dos senadores, que poderão fazer perguntas a Dilma.

Para este dia, estão previstos protestos pró e contra o impeachment. Para evitar confrontos, foi erguido mais uma vez um muro que separa as “torcidas”. Os manifestantes também ficarão acampados em regiões distintas de Brasília.

Aqui o que disseram os brigões depois da confusão: