5 motivos pra não querermos voto impresso no Brasil

Esse país não precisa de mais uma dor de cabeça.

Estamos em 2021 e, mais uma vez, vivenciamos o desgaste emocional provocado pelas alucinações da extrema-direita no Brasil. Jair Bolsonaro (sem partido), disse nesta quinta (6), que, sem voto impresso, não haverá eleições no país em 2022.

Ricardo Moraes-Pool/Getty Images

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"Ninguém aceita mais este voto que está aí, como vai falar que é preciso, é legal, é justo e não é fraudado? Única republiqueta do mundo, acho que talvez a única, é a nossa que aceita essa porcaria desse voto eletrônico, isso tem que ser mudado", disse o presidente da republiqueta Brasil.

Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Manifestante bolsonarista em 2018.

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A obsessão de Bolsonaro pelo voto impresso vem desde 2018 e nada mais é do que a criação de uma narrativa para deslegitimar uma ferramenta segura da democracia. Ao duvidar da segurança do voto eletrônico, ele abre precedentes pra justificar uma eventual derrota nas eleições de 2020, assim como fez Donald Trump.

 Alexandre Schneider/Getty Images

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Até o dia 7 de maio, fica aberta uma consulta pública no site do Senado para que a sociedade opine sobre o assunto. Até a publicação deste texto, a maioria das pessoas não concordava com o voto impresso.

Reprodução/Senado Federal

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara no Senado, criou recentemente uma comissão especial para debater a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do voto impresso, de autoria da deputada bolsonarista e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) Bia Kicis (PSL-DF).

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CLEIA VIANA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Bia é uma das investigadas no "Inquérito das Fake News", o mesmo que prendeu o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) em fevereiro deste ano. A deputada já se envolveu em diversas polêmicas e, em março, foi condenada pela justiça a pagar R$ 41,8 mil ao ex-deputado Jean Wyllys por divulgar fake news relacionada a ele.

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Em uma democracia, todo debate é válido. Mas, se nunca tivemos problemas com a urna eletrônica, qual é o verdadeiro interesse de Bolsonaro e seus aliados ao insistirem num sistema tão velho e ultrapassado como o voto de papel?

Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

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Compilamos aqui 5 motivos para que o Brasil não dê esse passo para trás.

1. As urnas eletrônicas permitem captar e armazenar os votos rapidamente. Isso faz com que a apuração das eleições sejam muito mais rápidas.

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2. Lembra do pesadelo que foram as eleições nos Estados Unidos em 2020? Nós não precisamos de mais uma dor de cabeça nesse país.

A apuração dos votos em papel demoraram dias e a vitória de Joe Biden foi confirmada oficialmente somente um mês depois, após uma reunião do Colégio Eleitoral.

3. O sistema da urna eletrônica é um dos mais modernos e seguros do mundo.

Rodrigo Coimbra, bacharel e mestre em ciência da computação pela Universidade de Brasília e analista judiciário do TSE, explica melhor em um artigo: "A Justiça Eleitoral utiliza o que há de mais moderno em termos de segurança da informação para garantir a integridade, a autenticidade e, quando necessário, o sigilo".

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Megan Varner/Getty Images

A contagem de votos nos Estados Unidos em 2020.

4. Além do mais, as urnas eletrônicas contam com um mecanismo simples de verificação: o boletim de urna.

Ao final da votação, esse boletim com a apuração dos votos de uma seção transforma-se em documento público.

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Miguel Schincariol/Getty Images

5. Em 25 anos de uso da urna eletrônica, NUNCA houve nenhum registro de fraude.

Em entrevista ao Estadão, o criador da urna eletrônica, Giuseppe Janino, explicou: "Nosso sistema é confiável. Somos referência no mundo e temos muitos mecanismos de auditoria e verificabilidade, inclusive com o próprio eleitor participando em vários eventos de auditoria".

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Se quiser participar da consulta pública do Senado sobre o voto impresso, é só clicar aqui.

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