Viajar sozinha me ensinou mais sobre dinheiro do que qualquer escola que frequentei.

Fui sozinha para o deserto do Atacama e tive que aprender a me organizar financeiramente na marra.

Acordei às 3 da manhã para chegar a tempo no aeroporto. Tudo já estava pronto desde o dia anterior: uma mala pequena e uma mochila. Já que o assunto é economizar, comecei pela bagagem, levando só o que julgava ser essencial. Saí de casa com aquela sensação padrão de ter esquecido alguma coisa.

Sou apaixonada por viagens mas, desde que me tornei mãe, tive muito poucas oportunidades de me jogar pelo mundo afora. Então, não poderia perder essa chance por nada, mesmo com pouco planejamento e um frio andino na barriga.

Organizei essa viagem em pouquíssimo tempo e precisaria controlar e planejar todo e qualquer gasto. Quer dizer, quando se está viajando pelo deserto uma coisa é certa: quando o dinheiro acaba, acabou.

E é aí que entra a Western Union. Como sou PÉSSIMA em finanças, quase sempre acabo me descuidando e perdendo o controle – quando não a dignidade, hahaha. E, com o aplicativo deles (WU BRASIL), é possível enviar dinheiro online de um país para o outro, direto de uma conta bancária no exterior ou para retirar em dinheiro num ponto conveniado. É fácil, bem rápido e ia me ajudar a não passar perrengue, nem ficar no deserto comendo areia – se tudo desse certo, rs.

Viajar para um destino remoto, no susto, com dinheiro contado e completamente sozinha? #partiuAtacama

Lavínia Carvalho

A vista da Cordilheira dos Andes, IMPRESSIONANTE.

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Cidade fofa no meio do deserto: muita terra, céu azul, doguinhos, eu e minha barraca. Se não for para me sentir uma andina raiz, nem quero.

Depois de me acomodar na minha tenda quentinha, precisei trocar dinheiro. Dei uma volta pela cidade e já me deparei com um monte de casas de câmbio. Já descartei as que eram mais “chiques” com aquela mentalidade de que se o lugar for muito arrumadinho, é certo que não vou fazer um bom negócio. Tenho que ir naquele muquifo onde parece que vão roubar meu rim e me jogar numa banheira de gelo, e foi nessa que troquei uma parte do dinheiro.

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Um monte de notas diferentes e a tentativa de organizar os gastos todos.

A vantagem de usar dinheiro vivo é realmente ter uma percepção mais visual e tátil dos gastos, além de conseguir negociar descontos e vantagens: muitos preços são menores em “efectivo” (dinheiro vivo), enquanto que na “tarjeta” (cartão de crédito) se cobra o valor cheio.

Eu estava ryca e poderosa, dona de algumas centenas de milhares de pesos chilenos. Grande parte dessa “fortuna” seria gasta já na próxima hora, com o pagamento da agência de turismo com a qual faria os passeios. Os pontos turísticos do Atacama são muito distantes entre si, além de terem peculiaridades que só os guias conhecem. Ou seja, não dá para sair sozinho por lá achando que vai chegar em algum lugar.

E assim, comecei a visitar as paisagens mais incríveis que já vi na vida, em uma experiência totalmente intensa e inesquecível.

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O deserto mais árido do mundo em todo o seu esplendor. E uma trilha bem pesadinha (em altitude) para chegar chegando. Alô, oxigênio! Kd vc?

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Pôr do sol SURREAL. Vontade de chorar com tanta beleza (e tanto FRIO).

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É oásis que você quer? Toma! Lagoas de água quentinha em meio a um visual absurdamente lindo para um banho de descarrego de respeito.

Até o momento, a minha missão de controlar o fluxo dos meus pesos chilenos estava indo bem. Tirando um ou outro pequeno grande gasto em lojinhas de artesanato (socorro eu AMO essas coisas!), tudo estava dentro do planejado.

Eis que, entre um passeio e outro, descobri que os níveis de frio seriam atualizados. Encararia pontos muito altos, com ventos violentos e temperaturas baixíssimas, AI QUE ÓTIMO...rs. Eu, que já estava no limite da minha estrutura “agasalhística”, percebi que precisaria fazer um investimento não previsto em um casaco peso-pesado para encarar o mundo gelado que me aguardava.

Olhei para meu dinheiro, fiz algumas contas e cheguei à conclusão de que precisaria de ajuda para essa compra, não tinha jeito. Em uma viagem normal, usaria o cartão e deixaria para o meu "eu do futuro" resolver esse problema, mas, nesse caso, eu precisava de notinhas reais e coloridas. Usei o wi-fi de um café e mandei mensagem para uma amiga da equipe do BuzzFeed explicando a situação. Como ela não queria acompanhar minha transformação num picolé atacameño, concordou em enviar uma graninha extra.

Ela usou o app da Western Union para fazer a transação online no Brasil e, em pouco tempo, fui retirar os pesos em um dos pontos conveniados. Confesso que fiquei meio tensa porque era a primeira vez que usaria o serviço. Mas meu coração se aquietou quando me deparei com essa cena e vi a marca da Western Union. Ufa, AQUI HAY!

Ponto de Western Union em casa de Câmbio no meio do Atacama. <3

O processo para receber foi bem tranquilo: apresentei meu passaporte, o código que foi gerado na transação no aplicativo e pronto! Lá estava eu com os meus pesos chilenos.

Voltei às lojinhas de San Pedro e procurei o melhor casaco pelo melhor preço. Acabei encontrando um poncho imenso, pesado, feito de lã de lhama. Garantia de calor e proteção, segundo o vendedor.

De posse de MINHA PRÓPRIA LHAMA PESSOAL, segui a viagem.

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Lojinhas de artesanato em San Pedro: ai, que delícia.


@aylluatacama, @aylluatacama, @aylluatacama

O céu sem fim e o ônibus mágico. Você se sente minúsculo e imenso, ao mesmo tempo.

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Lagoas em meio ao deserto, vulcões e o pior frio que já senti na vida.

Minha lhama e meu Atacama.

Panorâmica das Lagunas Altiplánicas, ventania cruel, frio horroroso. Faria tudo de novo.

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Fervinho no deserto.

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Os flamingos, o pôr do sol e os amigos que encontramos no caminho.

ADIÓS, MI AMOR

A Cordilheira de Prédios

Voltei para São Paulo plena e feliz, depois de uma das experiências mais transformadoras que já vivi.

O QUE EU APRENDI NESSA AVENTURA?

Viajar sozinha é bom demais. Deu saudade, deu vontade de compartilhar aquilo com alguém, mas também senti um envolvimento muito mais profundo com cada instante e cada situação. A vulnerabilidade de não poder contar com alguém ao lado traz junto a liberdade e a abertura diante de oportunidades e encontros que você não aproveitaria se estivesse acompanhado. E foi nos momentos de maior solidão que me senti mais conectada com o todo.

Organizar as finanças é um exercício. Não foi muito fácil me concentrar em anotar e controlar todos os mínimos gastos, estando em um momento de lazer e deslumbramento. Parece uma atividade chata e prática demais, diante da intensidade das experiências vividas, mas entendi como esse pequeno esforço foi importante para me deixar com a consciência tranquila para aproveitar tudo com mais responsabilidade e sem medo de surpresas desagradáveis. E, depois de alguns dias, esse controle estava mais fácil e automático.

É fundamental ter uma carta na manga. Por mais aventureira que possa ser uma viagem, é sempre importante contar com um ponto de apoio e uma boia salva-vidas, pois imprevistos acontecem e ninguém precisa ser super-herói sozinho.

E o meu orçamento, como ficou?

Bom, eu voltei com uma mísera notinha de 1.000 pesos, que vou guardar para comprar uma água no aeroporto de Calama, quando voltar.

Pablo Lobo

É isso. Viaje sozinho para se encontrar. Vá ao Atacama. Aprenda a se organizar financeiramente para viver todas as aventuras que quiser.

E conte com Western Union, onde estiver. Mesmo se for no meio do deserto.

Fotos: Lavínia Carvalho, Ayllu Atacama e Pablo Lobo
Design e ilustração: Lavínia Carvalho
Hospedagem: Atacama Loft & Glamp
Agência de turismo: Ayllu Atacama
Os donos do rolê: Western Union e BuzzFeed