5 tendências de moda popularizadas pela comunidade negra

A negritude tem o poder de popularizar qualquer roupa ou acessório que adote.

A comunidade negra sempre foi extremamente criativa em tudo o que se propôs a fazer, e sempre com a maior naturalidade do mundo

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Peças utilitárias viram acessórios de moda, chegando a ganhar versões caríssimas e luxuosas. Até o que não foi criado pela comunidade negra é ressignificado e ganha novos status na visão coletiva, a partir do momento em que jovens descendentes de africanos passam a usar. Seja criando, ressignificando ou reinventando, a negritude tem o poder de popularizar mundialmente qualquer roupa ou acessório que adote.

1. A reinvenção dos tênis:

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Em 1984, Michael Jordan colaborou com a Nike para a invenção dos históricos Air Jordan. É óbvio que já existiam variados tênis antes desses, mas foi a comunidade negra - com seu fanatismo pelos modelos Air Jordan - quem criou a febre que inseriu os calçados esportivos como parte dos outfits. Assim, viraram símbolo de status de forma definitiva no mundo da moda. Os Air Jordan, os Adidas do Run DMC e até os Mizunos usados nos bailes funk dos anos 90 permanecem nos fluxos das quebradas nos dias de hoje.

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2. Unhas de acrílico:

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Nos anos 1980, Florence Griffith Joyner (também conhecida como Flo-Jo), chamava a atenção por seu talento: a mulher mais rápida de todos os tempos, detentora de três medalhas de ouro e duas de prata nos Jogos Olímpicos. Mas, surpreendentemente, as unhas de Flo-Jo também se destacavam.

Ela levava para as pistas de corrida o estilo das pretas das quebradas dos EUA, com suas unhas de acrílico compridas, coloridas e até adornadas com pequenas joias. Nos anos 1990, o estilo é levado para os palcos com LaToya Jackson, Missy Elliott e Lil Kim. Hoje, o estilo foi levado ao mainstream da cultura pop e elevado ao nível de arte chamado “nail art”.

3. Riscos de navalha no cabelo e sobrancelhas:

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Essa tendência de moda nos leva ao início do século XX, quando homens negros faziam riscos com navalha numa das laterais da cabeça para parecer que seus cabelos estavam repartidos. Em seguida, várias versões começam a aparecer: riscos finos, grossos, curtos, compridos, duplos etc.

A moda durou do início dos anos 1900 até 1960, e foi retomada com força no final dos anos 1980 com a ascensão da cultura Hip Hop - que levou esses riscos até as sobrancelhas. Hoje, o estilo é usado no mundo inteiro.

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4. Bucket hats:

Reprodução | Site Oficial Run DMC

A comunidade negra é campeã em transformar itens utilitários em acessórios de moda. Usados anteriormente por fazendeiros e pescadores para se protegerem da chuva, e nas praias como proteção ao sol, os bucket hats viraram peças de moda para serem usadas em qualquer ocasião. Da popularização com Run DMC e LL Cool J à modernização nos dias de hoje com Tyler, the Creator.

5. Roupas largas:

Foto Alessandro Lucioni

Começou com uma moda no jazz dos anos 1930. Ternos muito largos (mas muito bem cortados) para dançar o Lindy Hop nos bailes de Jazz Swing. O estilo foi adotado até por jovens mexicanos e se tornou marca registrada da cultura chicana, com as calças desse tipo de terno sendo usadas até hoje.

Nos anos 1990, a comunidade negra retomou o uso de roupas muito mais largas que o habitual e criou o novo nome “roupas baggy” - válido para as calças jeans, calças militares, camisetas, camisas, jaquetas etc. As roupas baggy foram popularizadas e dominaram a moda da negritude ao redor do mundo até os anos 2010. Hoje, apesar desse domínio ter sido quebrado, as roupas baggy ainda são bastante usadas, mesmo que seja em apenas uma peça da composição visual.

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Texto de Jun Alcantara.

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