Inspirado na própria mãe, Rodrigo Sant'Anna é Dona Isadir na série "A Sogra que te Pariu"

Sitcom da Netflix estreia no próximo dia 13.

Na próxima quarta-feira (13), chega à Netflix mais uma produção brasileira: "A Sogra Que Te Pariu". A sitcom (comédia de situação) é protagonizada pelo ator Rodrigo Sant'Anna, que vive Dona Isadir, uma sogra bem "pra frentex" que, durante a pandemia, deixa seu apartamento no Cachambi (bairro da zona norte do Rio de Janeiro) e vai morar na casa do filho Carlos (Rodrigo Zulu), junto com a nora Alice (Lidi Lisboa) e dois netos adolescentes. A mudança na rotina tira a família do sério e cria situações bem divertidas.

Em entrevista ao Buzzfeed Brasil, Rodrigo conta que a inspiração para a série saiu de dentro de sua própria casa, quando sua mãe foi passar um tempo com ele, que mora com o marido, durante a pandemia.

Divulgação/Netflix

"Minha mãe viveu lá em casa na pandemia, daí vem a ideia da série. Ela foi a 'Sogra que Te Pariu' para o meu marido e eu", conta.

Publicidade

Na conversa, digo a Rodrigo que dona Isadir me pareceu uma senhora bem "pra frentex", que fala abertamente sobre sexo e está antenada a questões como "lugar de fala". Queria entender como foi a criação dessa personagem.

"Minha mãe está vivendo um momento de transição, em que agora está moderna, tem um namorado da internet, me mostra vídeo sensualizando para ele, enfim. Tudo isso foi me trazendo elementos para eu poder ir pirando na composição da Isadir. Porque eu sempre fico muito preocupado de que não estejamos falando de algo que seja real e que cause identificação. Então, acredito que a Isadir é composta também dessa minha preocupação, e tem as inspirações reais que a minha mãe me proporcionou. Então, obrigada a ela."

Na foto acima temos a Dona Ana Lucia Sant'Anna, mãe de Rodrigo.

Assistindo aos primeiros episódios da série, algo da Dona Isadir, não sei se o figurino ou o jeitão desbocado, me lembrou Valéria Vasquez, personagem que Rodrigo interpretou no Zorra Total. Pergunto a ele se isso é uma viagem minha ou se existe algo da personagem ali. E mais, algum plano para Valéria no futuro? 

Divulgação/Netflix

"Eu tô focado na Isadir, senão, não dou conta. Mas sempre vai ter alguma coisa de alguém, em algum lugar. Porque no final das contas, o cavalo é o mesmo. E o cavalo sou eu. Tenho a preocupação de criar um personagem real para aquela circunstância, procuro limpar, mas eventualmente vem algo de outros personagens", diz ele, que completa: "Não é uma piração sua, deve ter mesmo (algo da Valéria na composição da Isadir)."

Publicidade

Além do crédito como ator e redator final da série, Rodrigo também aparece como showrunnner de "A Sogra que Te Pariu". O termo é pouco usado em produções brasileiras, mas muito comum na gringa. Perguntei como ele se sentiu ao ocupar essa posição:

Reprodução

"Eu sou muito envolvido nas coisas que faço. A nomenclatura (showrunner) só aparece agora, mas eu já venho experimentando isso há muito tempo. O texto, naturalmente, sou eu que faço a redação final, mas em toda a questão artística eu estou envolvido. Eu fico pirando de que maneira podemos compor com mais elementos que traduzam o humor, que fique mais potente, no cenário, no figurino… Agora tá o nome aí, showrunner."

A tradição de sitcons sobre família é antiga tando no Brasil quanto fora daqui. Ao levar a série para o streaming, você se vê num papel de modernizar e atualizar essa tradição?

Divulgação/Netflix

"É um objetivo nosso. As séries de família foram e são um sucesso até hoje porque traduzem esse ambiente familiar, que todo mundo quer ver e se identificar de alguma maneira. Isso é natural. Trazer um toque diferente, proporcionar um elemento que traga a nossa cara e nossa personalidade, sem dúvidas, é um objetivo. Eu não quero inventar a roda, mas causar identificação no público com um elemento que ele ainda não tenha visto. O barato é esse", afirma.

Publicidade

E quais são esses elementos novos presentes em "A Sogra que Te Pariu"?

"Penso que a questão do TikTok, que tem uma linguagem de passagem de tempo, que é um pouco nessa levada, foi um desejo nosso. Tem um pouco dessa referência também na trilha de abertura, que é uma música ("Passinho Debochado") de muito sucesso nas redes sociais", diz.

"Tem pitadinhas, que não desconectam o público, porque não é a minha intenção, não quero criar uma linguagem nova, mas trazer alguns elementos divertidos", diz.

Isso me parece a cabeça de um showrunner pensando...

"É isso, a coisa do showrunner, que você perguntou no começo, entra nessas brincadeiras que podem enriquecer o todo e você fala 'eu não me afastei' e 'minha avó também continua assistindo'. Porque eu quero que ela assista, mas que você também assista. Eu quero ser o mais plural possível. Essa é a minha piração, sempre!", finaliza. 

Publicidade

Veja também