Motivos pelos quais não precisamos ter um "Dia da Consciência Branca"

Regina Duarte, corre aqui!

Essa história, em pleno 2021?

No último domingo, 21, a atriz Regina Duarte, ex-secretária especial de Cultura do governo Bolsonaro, questionou pelas redes sociais "quando teremos o Dia da Consciência Branca, Amarela ou Parda", numa atitude considerada racista. (Imagem de capa Isac Nóbrega/PR).

Mas e o Dia da Consciência Humana?

Reprodução/Instagram

O comentário foi feito acompanhado de um vídeo do ator norte-americano Morgan Freeman, que é defensor da Consciência Humana, uma ideia que até parece legal, mas apenas não existe. Quer um exemplo? Pretos morrem 78,9% a mais nas mãos da polícia.

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Veja alguns motivos para não existir um Dia da Consciência Branca.

1. Brancos não foram escravizados.

Primeiramente, os brancos não sofreram opressão, não foram traficados nem considerados objetos ou animais. Em 350 anos de tráfico negreiro, entraram no Brasil cerca de 4 milhões de africanos, segundo o IBGE.

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2. Não existe preconceito contra brancos.

Historicamente, brancos sempre ocuparam uma posição privilegiada na sociedade. Sendo assim, não sofrem diversos preconceitos nem são prejudicados pela cor da pele ou pelo cabelo, por exemplo.

3. Desde o fim da escravidão, população negra ficou à margem da sociedade.

Apesar de ser maioria no Brasil, a população negra está à margem social e economicamente e isso é uma consequência direta da escravidão. Um exemplo disso é que a renda média mensal dos pretos equivale a 55,8% da dos brancos, segundo pesquisa divulgada em 2020 pelo IBGE.

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4. Historicamente, brancos ocupam espaços de privilégio.

Os brancos estão presentes majoritariamente em todos os espaços sociais de poder, por isso não precisam de cotas. 

Em 2011, Dilma Rousseff oficializou o 20 de novembro como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Sendo assim, não só o dia 20 de novembro, mas falar em consciência negra significa dar visibilidade a personagens e histórias que foram silenciadas – por brancos – ao longo de centenas de anos. Além disso, a data também serve como marco cultural necessário para criar debate sobre questões raciais, bem como sobre as conquistas do movimento negro no Brasil.

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