Razões ÓBVIAS pelas quais o projeto que tenta barrar LGBTs na publicidade não deve ser aprovado

Projeto será votado nesta quinta-feira (22) pela Assembleia Legislativa de São Paulo - que deveria se preocupar com uma pandemia neste momento

Ficou para esta quinta-feira (22) a votação do projeto de lei que tenta barrar a participação de LGBTs na publicidade. O PL, idealizado pela deputada Marta Costa, do PSD, quer proibir material que contenha alusão à diversidade sexual e de gênero através de qualquer veículo de comunicação e mídia. Até mesmo referências à comunidade LGBTQIA+ estariam vetadas.

Sim, você não leu errado: em plena pandemia, com mais de 380 mil mortos no Brasil, isso virou prioridade na pauta da Alesp.

Dá para perceber que temos uma deputada muito tolerante, não é mesmo?

Para ajudar os deputados nesta decisão, listamos aqui cinco razões ÓBVIAS pelas quais esse projeto não deveria sair do papel.

LGBTs não são ameaça a ninguém. E seguirão existindo com ou sem propaganda.

Pelo contrário. É a comunidade LGBTQIA+ que leva lâmpada na cara e xingamento quando sai à rua. Aliás, como um casal de mãos dadas pode ser considerado uma ameaça? Com ou sem propaganda, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e toda a diversidade de orientações seguirão existindo. Não adianta tentar nos esconder.

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LGBTs também têm famílias.

É muito curioso que o discurso de políticos reacionários contra a existência de LGBTs na mídia é a "preservação da família". Talvez alguém precise explicar para eles que LGBTs também têm famílias! Eles não nascem de um vidrinho de glitter! Todos têm pai, mãe, avó, avô, sobrinho, primo e até mesmo aquela tia do zap que ainda acha que esse governo é legal.

Sem falar do óbvio: muitos LGBTs adotam filhos abandonados por casais heterossexuais. Eu sei, é uma verdade que dói ouvir, mas são os fatos.

LGBTs fazem bem para a economia.

Não se pode negar: as empresas amam o chamado pink money. E o mercado tem voltado cada vez mais suas atenções para este nicho. Segundo um estudo feito pela consultoria norte-americana Out Leadership, o potencial de consumo do mercado LGBT no Brasil é de R$ 418,9 bilhões, o equivalente a 10% da riqueza produzida no país.

Acho que os deputados não querem recusar dinheiro honesto para ajudar o país, né?

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Ninguém se torna LGBT assistindo LGBTs na televisão.

Os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso se beijam em cena de "Amor à Vida"
Os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso se beijam em cena de "Amor à Vida"

Reprodução/TV Globo

A história mostra: ninguém "virou gay" depois de ver o beijo do Félix (Mateus Solano) e do Niko (Thiago Fragoso) no final da novela "Amor à Vida". Todo mundo seguiu suas vidas numa tranquilidade. E assim foi com todas as outras vezes em que apareceram personagens LGBTs na mídia.

Vamos combinar: se beijo na TV fosse influência não teria um único LGBT nesse país hoje em dia. Foram décadas e décadas só vendo casais heteros na TV e no cinema! A pessoa é para o que nasce. ;)

Então que fique claro para os deputados: má influência é não combater a pandemia, é deixar a população passando fome e sem emprego. LGBTs são cidadãos e não só merecem respeito como precisam se ver representados.

Sabe o que é má influência? O preconceito.

Que se barre esse projeto!

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