9 expressões capacitistas para você nunca mais usar

Seja durante a Paralimpíada ou em qualquer outra situação.

Três atletas japoneses em frente à pira olímpica.
Três atletas japoneses em frente à pira olímpica.

Buda Mendes/Getty Images

A Paralimpíada de Tóquio começou, e muita discussão veio na bagagem. O evento que reúne atletas com deficiência, em via de regra, é oportunidade para discutir preconceitos que afetam não só esportistas, mas todos que convivem com alguma deficiência física ou intelectual.

Fato é que às vezes não é preciso nem estar presente para ofender ou magoar pessoas com deficiência (PCD), basta um comentário mal pensado, uma postagem com conteúdos que, às vezes até querendo elogiar, machucam.

Reunimos aqui, então, 9 expressões capacitistas (isto é, que contêm algum preconceito contra PCDs) que você pode banir do seu vocabulário já.

1. "Uma linda história de superação".

No caso das Paralimpíadas, estamos falando de atletas. Eles se superam constantemente para quebrar recordes e garantir pódios, mas essa frase não se trata disso. O contexto é, quase sempre, sobre o fato de uma pessoa com deficiência conseguir nadar, pular, fazer gols.

Atletas paralímpicos constantemente falam que esse tipo de colocação não é um elogio. Quando se fala isso, coloca-se a deficiência como o principal fator na vida do atleta, o que não é verdade.

Fora que há todo um tom de dó nessa frase. Ninguém precisa passar a mão na cabeça destes atletas, eles são fodas mesmo, mas não por causa da deficiência.

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2. "Pessoas especiais".

São atletas com deficiência, pessoas comuns. Quando você fala que fulana é "especial", a mensagem é que ela precisa de condições especiais para poder viver uma vida plena - o que também não é verdade. Os atletas dali são esportistas incríveis que treinaram, se dedicaram e conseguiram bater metas que os colocaram na competição. Não precisa tratar com cuidados extras.

3. "Que mancada".

Muita gente nem percebe, mas parando um segundo pra pensar a situação fica óbvia: mancada vem de "mancar".

A expressão que significa "erro", "lapso", pode não fazer diferença na vida de quem a usa e não possui deficiências - mas machuca quem de fato manca para poder se locomover.

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4. "Seu retardado".

Essa já não tem desculpa de falar que nunca pensou nisso. Retardado é um jeito extremamente ofensivo de chamar uma pessoa com deficiência intelectual.

Tão ruim quanto é usar a palavra pra xingar pessoas sem deficiência nenhuma: você acaba dizendo que PCDs são inferiores, que ser comparado é um insulto.

Uma fala péssima.

5. “Deu uma de João sem braço”.

O "João Sem Braço" é uma pessoa preguiçosa, trapaceira. Com origem em Portugal, o termo se popularizou quando moradores de rua fingiam não ter um braço para conseguir mais esmola nas ruas.

Ou seja, pessoas sem deficiência que acabaram trazendo um termo que só estigmatiza PCDs.

Não faz sentido relacionar a falta de um membro à mal caratismo, e a expressão reforça essa conexão.

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7. "Usou o problema de muleta".

Essa é falta dupla. Usado constantemente contra pessoas com deficiência, a expressão ainda usa "muleta" como sinônimo de "desculpa".

Significando que alguém está usando seus problemas como pretexto para fugir das responsabilidades, o jogo de palavras dá a entender que uma pessoa que precisa de muletas é menos capaz que os outros, além de usar o problema de alguém para atacá-la.

Péssimo.

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8. "Você é surda?".

A expressão, que também às vezes vira "você é cega?", sempre usa pessoas com deficiência como um parâmetro ruim de comparação. Você sabe que fulana ouve e enxerga, mas ainda assim, relaciona ela com um PCD com o intuito de ofender. Baixo astral.

9. "Deus só dá o fardo pra quem aguenta carregar".

Nessa, você tenta justificar o fato da pessoa ter uma deficiência. Parece muito com outro papo, o "pessoas têm deficiência pra pagar o que fizeram em outra encarnação".

Cada um segue a religião que quer, mas não tente fazer da realidade de uma pessoa prova de suas convicções, ou estímulo para suas próprias dificuldades.

As deficiências acontecem, e se algum PCD quiser saber sobre como suas crenças lidam com elas, ele te perguntará. Caso contrário, repense esse comentário.

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