Os verdadeiros - e históricos - influenciadores da Parada LGBT

Eles estiveram nas primeiras edições do evento. Eles correram para que todos pudessem andar.

Já são 25 anos de Parada do Orgulho LGBTQIA+, 25 anos que várias figuras fundamentais para a história da comunidade colocaram a cara na rua para pedir por mais direitos.

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A primeira edição do evento ocorreu em 1997, mas dois anos antes já havia tentativas de mobilização.

Em 1995, no Rio, a 17ª conferência do ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex) terminou com uma pequena marcha na praia de Copacabana. Em 1996, a Praça Roosevelt, em São Paulo, sediou um encontro com menos de mil pessoas para pedir por mais direitos e respeito.

No ano seguinte, todos se organizaram e tomaram a Avenida Paulista.

Sabe quantas pessoas estiveram na primeira edição da Parada?

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Ao todo, foram cercade duas mil pessoas da comunidade que então era chamada de GLS - risos.

A divulgação era feita por meio de panfletos e tinha gente inclusive preparada para ir de máscara para não ser reconhecida ou ter a cara marcada pela polícia, que não queria deixar que a marcha andasse.

Olha só como o evento cresceu, muita gente pôs a cara no sol e perdeu o medo de se afirmar! São Paulo é hoje palco da maior Parada do Orgulho LGBTQIA+ do mundo.

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Adriana Arco-Íris

Foi a mãe de Adriana quem confeccionou, de graça, a bandeira de arco-íris gigante usada na primeira Parada do Orgulho. A flâmula tinha 50 metros. A ativista também panfletou convocando amigos e desconhecidos para participar da passeata.

André Fischer

Não é exagero dizer que André mudou o modo como LGBTs eram percebidos na grande mídia. O jornalista fundou o portal "Mix Brasil" e o transformou em um dos festivais de cinema LGBT mais importantes do mundo. Hoje, coordena o Centro de Diversidade, em São Paulo, e segue dando closes certíssimos.

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Andreia de Mayo

Andreia de Mayo
Andreia de Mayo

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Dona da casa noturna Prohibidu's, que ficava embaixo do Minhocão, Andreia foi um nome politicamente ativo. Além de cuidar de garotas que trabalhavam nas ruas na região do Arouche, fez questão de marcar sua militância e se opor a políticos conservadores.

Certa feita, no "Programa Livre", do SBT, perguntou ao deputado Afanázio Jazadi se ele recusava votos da comunidade LGBT. Ao ouvir a negativa, mandou em alto e bom som: "Então vá se catar!".

Morreu em 2000, mas é celebrada até hoje.

Beto de Jesus

Beto de Jesus
Beto de Jesus

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Beto foi o primeiro presidente da Associação da Parada LGBT. "A parada de 1997 foi uma coisa muito comunitária, tinha uma Kombi pequenininha, a gente ocupou uma faixa só da Paulista. A gente desceu a Consolação, parou na Roosevelt. Tinha um microfonezinho só, tinha duas mil pessoas, foi uma coisa bonita, muito linda, porque era uma manifestação para se mostrar gay, lésbica, bissexual, trans à luz do dia. Eu tenho orgulho de ser LGBT. Era muito engraçado, porque no começo muita gente perguntava se podia usar máscara, porque ainda tinham muito receio e muito medo da visibilidade", contou o ativista em entrevista para a "Vice".

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Claudia Wonder

Claudia Wonder
Claudia Wonder

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Claudia Wonder era TUDO. Literalmente. Escritora, ativista, atriz, cantora. A mais punk das travestis na música, no auge da epidemia da Aids ela se enfiava nua em uma banheira de groselha e jogava o sangue fictício na plateia como protesto.

Morreu em 2010, aos 55 anos, cedo demais, por causa de um fungo. Para saber mais sobre ela assista ao excelente documentário "Meu Amigo Cláudia", de Dácio Pinheiro.

Dimmy Kieer

Dimmy, ou Dicesar, é mais conhecido por ter participado da décima edição do "Big Brother Brasil", mas, na comunidade LGBT, é reverenciado como uma das drags mais importantes do país. Dimmy tem história de ativismo e esteve presente em todas as Paradas.

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João Silverio Trevisan

Atuante e profícuo, esse escritor é responsável por um livro fundamental para entender a diversidade. "Devassos no Paraíso" promove um resgate histórico da homossexualidade no Brasil. Seus outros romances também têm personagens LGBTs.

Pioneiro, fundou em 1978 o "Somos", primeiro grupo de liberação homossexual do país.

E mais: ainda em tempos de ditadura, colocou nas bancas o "Lampião da Esquina", jornal voltado para a comunidade gay.

João é uma lenda e merece ser celebrado a todo tempo.

Jorge Lafond

Jorge Lafond
Jorge Lafond

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Lafond dispensa apresentações. Ele transformou a personagem Vera Verão, de "A Praça É Nossa", em um ícone da comunidade. Andou muitas Paradas no chão, marchando com todo mundo. Merecia ter sido muito mais celebrado em vida.

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Kaká Di Polly

Irreverente, Kaká Di Polly foi a causa de a primeira edição da Parada LGBT ter conseguido sair pelas ruas. Na época, a polícia não queria que eles saíssem andando e ficassem restritos a apenas um quarteirão. O que ela fez? Deitou no asfaltou e mandou todo mundo seguir em frente.

E olha que o look dela era um bafo. Olha a Kaká de pé e colorida em 1997.

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Laura Bacellar

Laura mal tinha voltado para o Brasil em 1997 e já colocou a cara no sol na Parada. A editora de livros é um nome importantíssimo para movimento lésbico brasileiro.

Márcia Pantera

A rainha do bate-cabelo esteve presente em todas as edições da Parada. E, se você não assistiu a uma performance dela, você ainda não sabe o que é uma drag PODEROSA.

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Miss Biá

É impossível não se emocionar com a história de Miss Biá, que começou como imitadora de Hebe e depois não parou mais. Era a primeira-dama da arte drag no Brasil, com mais de 60 anos de carreira. Fugiu da polícia, se montou na ditadura e virou ícone. Seguiu ativa até o fim da vida, aos 82 anos, quando foi vítima da covid-19.

Que falta você faz, Biá. Uma das pessoas mais gentis que já encontrei na vida.

Nany People

É possível encontrar vídeos de Nany novinha já desfilando na primeira Parada. Junto com Silvetty Montilla, foi uma das primeiras apresentadoras do evento, mas parou de frequentá-lo após questionar os altos valores cobrados pelos trios. Hoje, declina gentilmente todos os convites que recebe, mas segue uma referência. É atriz bem sucedida, faz novela na Globo e, quando era repórter de Hebe Camargo, nos rendeu um momento icônico ao montar a apresentadora.

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Paula Beatriz Souza Cruz

Travesti, professora, ativista. Paula dispensa apresentações. Ela arrasa. E estava gatíssima na primeira Parada. É exemplo de militância e clareza. Merece ser sempre celebrada.

Paulette Pink

Paulette é uma drag tão icônica que já inspirou personagens, frequentou os mais variados programas de TV e é uma estilista de mão cheia. Além disso, é a Cher brasileira. Olha que gata!

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Paulo Giacomini

Sabe aquele encontro na Praça Roosevelt um ano antes da Parada LGBT? Foi bastante motivado pelo jornalista, que, então colunista da "Revista da Folha", publicou um artigo chamado "Vamos ferver o orgulho gay?". Diagnosticado com HIV em 1984, Paulo é exemplo de luta e resistência.

Salete Campari

Salete é um ícone. Uma das drags mais famosas do Brasil, mas também uma ativista de primeira. Além de já ter trabalhado em órgãos públicos voltados para a comunidade, frequentemente é encontrada em fóruns de discussão e ações sociais. Tem, até hoje, um trio elétrico com seu nome na Parada.

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Silvetty Montilla

Silvetty é uma batalhadora da noite paulistana e um ícone brasileiro. Já comandou coberturas de Carnaval na TV, dominou os palcos das principais boates do país e, por vezes, faz até quatro shows numa única noite.

É engajada, irreverente e foi ativa (ui!) na divulgação da primeira Parada do Orgulho LGBT - da qual saiu na garupa de um boy MARA. Foi também a primeira apresentadora do evento. Merece todo tipo de reverência.

Por alguma razão tecnológica não conseguimos embedar o Instagram da vida, mas você pode segui-la clicando aqui.

Olha aqui a Silvetty, de vermelho, na época da primeira Parada.

Tá passada?

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Essa lista poderia ser muito, mas muuuuito maior. Poderia incluir um número infinito de gente desbravadora, corajosa, ousada.

Tanta gente correu para os LGBTs hoje pudessem andar. Eles, sim, são os verdadeiros influenciadores, que permitiram, em um tempo sem internet, que a gente pudesse ser quem somos hoje.

É preciso aprender e celebrar quem merece.

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