Opinião: Influenciadores, não façam como Leo Picon

Ele achou engraçado expor uma criança do Recife e chamá-la de "traficante de informações".

Nesta semana, Leo Picon, em viagem para o Recife (PE), achou que seria uma boa ideia expor uma criança nos stories e chamá-la de traficante de informações. A gente tem o vídeo, mas não vai expor um menor de idade. Essa legenda do "Gossip do Dia" dá uma mostra do que acontece.

Reprodução/Gossip do Dia

Depois de ver a repercussão que o vídeo ABSURDO tomou, o influenciador foi às redes afirmar que ele foi "tirado de contexto". Um vídeo que ele fez, que ele legendou, que ele mesmo adjetivou.

Reprodução/Instagram

"Eu vinha fazendo vários vídeos em espanhol e lidando com o que eu estava vivendo no dia a dia, lá em espanhol, em tom de brincadeira, como se fosse algo voltado à la mafia espanhola porque hablar en espanõl es un estilo de vida. (...) Eu me referi a uma criança como traficante e eu filmei isso. Fiz questão de escrever 'traficante de informação' porque, pô, dentro do contexto todo."

Ele diz não ter visto problemas na "brincadeira": "Agora pegam esse trecho do vídeo e colocam em diversos portais e fica saindo que eu chamei uma criança de traficante, começam a levantar pautas de elitismo e de sei lá o que, quando na verdade não tem nada a ver. Foi uma brincadeira em que, obviamente, quando pega, fragmenta e coloca fora de contexto, fica fácil. É um prato feito para quem quiser me atacar, pra quem quiser me descredibilizar, para quem quiser criar uma narrativa que jogue contra mim".

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Importante perceber: em nenhum momento ele pediu desculpas. Talvez ache que não há necessidade disso. Mas acho importante desenhar para você, Leo.

Não se expõe crianças a "brincadeiras" vexatórias sem autorização dos pais para milhões de pessoas, como você fez.

Não é nenhum pouco razoável comparar uma criança a um traficante, em qualquer que seja a situação.

Você fala tanto em ser tirado do contexto, Leo, mas você sabia qual era o contexto de vida dessa criança de quem você tirou sarro? Houve essa preocupação? Aparentemente, não.

Em seu vídeo, você fala tanto de projetos voltados para jovens, mas isso não é desculpa para o fato de que um menor de idade foi exposto em uma brincadeira estúpida. O mínimo que você poderia fazer era pedir desculpas pela infantilidade e procurar sua família.

Posar de mafioso, no Recife, e achar que está buscando "traficantes" pela cidade não é divertido. É de extremo mau-gosto. Eu, como pernambucano, me sinto extremamente ofendido. O Nordeste não precisa de mais estigmas ou de sua "máfia espanhola". Você tem procurado "de brincadeira" por tipos de traficante nas festas de influenciador que frequenta ou em suas reuniões de amigos?

Aos influenciadores, fica aqui um pedido: não sejam como Leo Picon.

Não usem crianças como escape para piadas cretinas. Não exponham crianças a situações vexatórias. Não viajem ao Nordeste achando que é legal posar de playboy mafioso por lá. Não é. Estamos falando de uma terra de gente trabalhadora, que já luta para se livrar de estigmas há muito tempo.

Usem sua influência para o bem. Nesse caso específico, não dá para entender como alguém com milhões de seguidores acha que pode ser razoável ou engraçado chamar uma criança de traficante.

Ser influenciador é mais que mostrar seu look do dia, fazer dancinha do TikTok ou ostentar viagens e carros de luxo. Ser influenciador é impactar positivamente a vida de que segue.

A vida desse garoto pernambucano foi impactada da pior maneira possível. E não há contexto que explique isso.

Não sejam como Leo Picon. Aprendam a se desculpar. E escolham suas causas. Incentivar a vacinação entre adolescentes, por exemplo, é um ótimo começo.

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