Às vezes precisamos explicar o óbvio: O que foi o nazismo – e por que ele deve ser repudiado?

Para quem faltou na aula de história.

Em vista das últimas 24 horas, com influenciador defendendo criação de partido nazista e comentarista se despedindo com uma saudação semelhante a um gesto infame, ficou claro que muita gente ainda não sabe o que foi o nazismo.

Sala Nazista com centenas de pessoas saudando hitler.
Sala Nazista com centenas de pessoas saudando hitler.

Universal History Archive/Getty Images

Porque, se soubessem, definitivamente não estariam promovendo qualquer tipo de defesa ao regime.

Mas, como estão, vamos recapitular alguns fatos sobre essa mancha na história da humanidade:

O que é nazismo?

Multidão na frente do palácio de Hitler, com velas.
Multidão na frente do palácio de Hitler, com velas.

 Imagno/Getty Images

Nazismo é um tipo de regime fascista, isto é, um governo de extrema direita que usa a força para incorporar um ultranacionalismo autoritário como política.

O que define o nazismo, no entanto, são algumas particularidades - como o uso de alegações científicas falsas para justificar o racismo, a homofobia, o capacitismo e até mesmo o extermínio de povos, como aconteceu com os judeus .

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Como ele surgiu?

Hitler
Hitler

Universal History Archive/Getty Images

Simplificando bastante todo um panorama geopolítico, dá pra afirmar que, depois de perder a primeira Guerra Mundial, a Alemanha ficou fragilizada. Por estar no grupo dos derrotados, o país sofreu sanções e, na década de 30 com a Grande Depressão atingindo o planeta todo, a economia germânica implodiu.

Fome, desemprego e caos começaram a tomar conta da nação que viu em um jovem fanático, com discursos agressivos, uma saída possível. Hitler prometia glamour, poder e força, para uma Alemanha que cassasse e matasse seus inimigos.

Para convencer, se apoiou em discursos pseudo-científicos que pregavam a eugenia e o darwinismo social - ou seja - que algumas pessoas teriam genes melhores que outras. Emendou isso em um papo nacionalista, de que inimigos alemães eram inferiores e estavam tentando sabotar a nação, ao mesmo tempo em que se aproveitava do racismo já existente contra judeus - até pela acusação de matar Jesus na Bíblia.

O que o nazismo fazia na prática?

Nazistas ocupando palácio em Praga.
Nazistas ocupando palácio em Praga.

Universal Images Group via Getty Images

O governo de Hitler construiu campos de trabalho forçado, prisões que submetiam judeus à rotinas exaustivas. Não só, parte dos presos era submetido à experimentos científicos desumanos.

O governo nazista, então, matava seus prisioneiros. Câmaras de gás foram inventadas para que economizassem com balas, já que o volume de assassinatos só crescia. Estima-se que 6 milhões de judeus foram mortos, sem chance de defesa, durante o nazismo.

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Além dos judeus outros grupos foram atacados?

Hitler sendo saudado nas ruas.
Hitler sendo saudado nas ruas.

Universal Images Group via Getty Images

Sim! O governo nazista perseguia pessoas negras, LGBTQIAP+, ciganas, testemunhas de Jeová, comunistas e qualquer um que se opunha ao regime. O número de não-judeus mortos em campos de concentração varia muito. Algumas estimativas giram em torno de 5 milhões de vítimas, mas mesmo as mais otimistas contabilizam - ao menos - meio milhão de mortos.

E defender o nazismo é liberdade de expressão?

Hitler falando
Hitler falando

Universal History Archive/Universal Images Group via Getty Images

Não!!!!!!!!!! Desde a nossa nova constituição, em 1989, fazer apologia ao nazismo já é punível por meio da lei federal antirracismo. A pena é de multa e prisão de dois a cinco anos.

Em 2003, o gaúcho Siegfried Ellwanger foi condenado à prisão por publicar livros antissemitas. O Supremo Tribunal Federal concluiu que a liberdade de expressão não permite que depoimentos contra a dignidade de outras pessoas sejam feitas.

Um projeto de lei mais recente, de autoria do senador Randolfe Rodrigues, quer criminalizar especificamente a negação do holocausto e aumentar a pena da apologia ao nazismo - se difundida na internet, ou em quaisquer meios de comunicação, a pena de até 8 anos pode dobrar.

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Há exemplos recentes?

Alvim e Goebbels

Infelizmente, dezenas. Alguns mais sutis que outros. Além dos que envolvem Monark e Adrilles, o governo Bolsonaro foi palco de alguns escândalos do tipo. Um dos mais proeminentes foi quando o então secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim, fez um pronunciamento que se assemelhava MUITO a um dito pelo ministro nazista Joseph Goebbels. Os textos, você pode comparar abaixo:

"A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada ", afirmou Alvim.

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse Goebbels.

E qual é o panorama atual do Brasil atual em relação ao nazismo?

Homem careca de costas, com jaqueta de couro.
Homem careca de costas, com jaqueta de couro.

RapidEye / Getty

Péssima. Desde 2018, o número de casos envolvendo apologia ao nazismo decolou. O que antes girava em torno de 20 ocorrências/ano ultrapassou os 100 registros em 2020. No apanhado da década, houve um aumento de 900% nas denúncias entre 2011 e 2020.

E não são só as denúncias que crescem. Uma pesquisa revelada pelo Fantástico mostrou que desde 2019, quando Bolsonaro assumiu o governo, até maio de 2021, houve um aumento de 270,6% no número de grupos neonazistas no Brasil.

Não dá pra achar que é brincadeira.

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Em resumo: defender o nazismo é defender que sejam mortas populações de pessoas negras, LGBTs, com deficiência, de etnias distintas ou religiões diferentes da normativa, caso dos judeus.

Ninguém quer viver nesse mundo aí, não.

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