Não é possível que o LinkedIn não considere nenhuma voz negra relevante

Na segunda edição da lista da rede social profissional, TODOS os influenciadores são brancos – mesmo que influenciadores negros de sucesso estejam sendo reconhecidos por outros veículos.

No dia 21 de Novembro, o LinkedIn publicou sua lista de os Top Voices de 2018 da sua rede.

Divulgação / LinkedIn

Esse é um reconhecimento do LinkedIn aos usuários influentes e que mais geram conversas. Esse reconhecimento é ótimo para a pessoa ganhar mais seguidores, mais convites para eventos e coloca o profissional como uma referência no mercado em que atua. Veja a lista completa.

O grande problema? Na lista aparecem apenas BRANCOS, homens e mulheres. Ou seja, ao que parece, para o LinkedIn não existem vozes negras relevantes em sua rede.

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No artigo divulgando quem são os escolhidos, Rafael Kato, editor de Notícias da América Latina do LinkedIn, explica que a rede levou em consideração a "qualidade e a diversidade de gênero, pois a lista deve refletir o mundo em que vivemos". E aí eu me pergunto: que mundo é esse em que só existem pessoas brancas? Sobre qual país o LinkedIn se refere?

Divulgação / LinkedIn

"Nós usamos uma combinação de dados com uma visão editorial para encontrar as vozes de destaque. Analisamos a produção dos usuários dentro das suas áreas de expertise, avaliando em que medida o conteúdo original publicado propiciou conversas no LinkedIn — medidas aqui pelo engajamento, incluindo comentários e compartilhamentos. Nós também acompanhamos o crescimento de seguidores relativos: esses profissionais atraíram fãs de seus setores de atuação? Finalmente, nós enfatizamos a qualidade e a diversidade de gênero, pois a lista deve refletir o mundo em que vivemos."

Veja o artigo completo.

Lembrando que a lista foi publicada um dia após a data em que o Brasil "comemora" o Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro.

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A ausência de influenciadores negros não chamou atenção apenas da comunidade negra que está na rede, mas de outras vozes importantes sobre a diversidade, como a Maira Reis.

Jandaraci Araujo, que é CEO da BP9 Business, listou diversas vozes negras que poderiam entrar no ranking e foram esquecidas e ignoradas. São nove nomes que possuem uma produção alta e relevante não só de temas raciais, mas também de economia, tecnologia, empreendedorismo e direitos humanos.

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Aliás, uma delas, Monique Evelle, já foi eleita pela Forbes em 2017 como uma das vozes jovens, empreendedoras e criadoras abaixo dos 30 anos que estão transformando o mundo. Além disso, um dia antes de sair a tal lista, a Netflix lançou a série "Os Originais", com a história de Monique estrelando o primeiro episódio.

Divulgação / Netflix

Sei lá, se isso não é ser uma "top voice", eu não sei mais o que é.

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