Por que uma mãe que iniciou a filha no candomblé foi denunciada?

Advogados de defesa veem o caso como intolerância religiosa.

O Ministério Público de São Paulo denunciou uma mãe que introduziu sua filha de 10 anos ao candomblé por crime de lesão corporal com violência doméstica agravada, conforme noticiou a Folha de S.Paulo neste sábado (10).

Jan Sochor/Getty Images

A criança teria sofrido "cortes provocados por gilete ou navalha, causando-lhe lesões corporais de natureza leve”, acusou o promotor do caso, Gustavo Simioni Bernardo.

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Os advogados de defesa da mãe, Hédio Silva Jr. e Silvia Souza, veem o caso como intolerância religiosa e afirmam que “o sistema jurídico brasileiro assegura a judeus e muçulmanos o direito de extirparem o prepúcio de bebês, reservando aos candomblecistas o encarceramento pela prática da escarificação religiosa".

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É nítido que as religiões de matriz africana ainda sofrem com o preconceito por parte da sociedade, mas é estarrecedor que isso aconteça também perante a Justiça. Se o ato de circuncidar uma criança ou colocar brincos em um bebê não ferem a lei, por que a escarificação fere? Passou da hora de ampliarmos esse debate.

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