Loja acusa jovens negros de roubar sabonete e faz BO por ter sido chamada de racista

O boletim de ocorrência acusa os jovens de calúnia.

Na noite da última quarta-feira, dia 21, três jovens foram vítimas de racismo na loja Choix, localizada na região dos Jardins, em São Paulo. Eles participavam do evento de lançamento da coleção Casasola Jeans.

Reprodução / Instagram

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Os jovens relataram ter chegado e entrado na loja sem problemas para o evento, que havia sido divulgado nas redes sociais. Eles haviam recebido brindes e até um tour pelo local. Após cerca de uma hora, os três estavam do lado de fora da loja quando foram abordados por um funcionário, que disse ter sido informado que havia sumido um sabonete do banheiro.

Os jovens foram questionados a respeito do sabonete por um funcionário da loja.

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Em sua defesa, S., uma dos jovens, falou para o funcionário que ele estava sendo racista por ter insinuado que os únicos negros presentes no ambiente seriam os ladrões (de um sabonete usado).

Então, uma mulher que se identifica como amiga da loja se aproxima da discussão de maneira exaltada e argumenta que o episódio não pode ser classificado como racismo, já que a loja é "gay".

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Depois, ela argumenta que não poderia ser racista porque tem dois negros (que foram adotados para "dar oportunidade") na família.

A mulher prossegue dizendo: "É ridículo de vocês acusarem uma coisa dessas, porque eu tenho dois primos-irmãos que eu trato de igual pra igual, que são negros"

O vídeo pode ser visto aqui:

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Uma das jovens, Beatriz Venâncio, 18 anos, descreveu em um post como o episódio terminou em violência – e porque os acusados preferiram ir embora e não esperar a polícia.

      

Segundo os acusados, no meio da discussão a mulher pegou o celular e falou que iria gravar o rosto dos jovens negros, porque eles é que estavam sendo racistas. S. diz ter tentado impedir essa gravação e, ao segurar a mão da mulher, derrubou o celular. No meio da confusão, Beatriz terminou agarrada pela mesma e por um segurança, que lhe aplicou um "mata-leão".

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A loja Choix publicou uma nota de repúdio em seu Facebook em que diz que foram "vítimas de criminosos que invadiram um de nossos eventos". E informou que registrou o ocorrido num Boletim de Ocorrência.

Reprodução / Facebook

É difícil entender o uso de "invadiram" na nota da loja, uma vez que o evento era aberto ao público, como foi divulgado no Instagram do Portal ECOERA.

O Ecoera é uma plataforma de compartilhamento de conteúdo e produtos sustentáveis.

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Revoltadas com a nota da Choix, muitas pessoas passaram a avaliar a loja negativamente no Facebook.

Reprodução / Via Facebook: choixloja

Reprodução / Via Facebook: choixloja

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Até o momento da publicação deste post, a página já havia recebido 491 avaliações negativas.

Reprodução / Via Facebook: choixloja

O BuzzFeed Brasil teve acesso ao Boletim de Ocorrência registrado por um dos donos da loja Choix – a empresa é registrada nos nomes de Fernando Ribas e Márcio Ribas, este último, segundo seu perfil no Linkedin, também diretor de criação na agência publicitária Neogama. O caso foi registrado como calúnia. Leia na íntegra:

"AGRESSÃO FÍSICA EM LOJA

Um empresário de 49 anos relata que sofreu acusações de calúnia na madrugada de quinta-feira, dia, 22, na Rua Prof. Artur Ramos, 181, em Pinheiros, Zona Oeste da capital.

O empresário compareceu à delegacia e informou que um grupo de pessoas desconhecidas verbalizaram palavras ofensivas, o chamando inclusive de racista.

O fato ocorreu quando foi solicitado ao grupo que liberassem a passagem dos veículos do local em que acontecia um evento de moda da loja situada no endereço citado.

Posteriormente duas jovens postaram em suas redes sociais publicações que diziam que a loja incentivava o racismo. O empresário esclarece que a empresa não admite tal prática e se mantém transparente em suas atividades, inclusive promovendo eventos com todas etnias.

O caso foi registrado no 15º DP do Itaim Bibi como calúnia."

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Procurada, a Choix retornou ao pedido de entrevista do BuzzFeed Brasil com uma nota em que abandona o termo "invadiram" e diz que os jovens "não tiveram comportamento respeitoso recíproco" e "foram reativos". Leia na íntegra:

"A Choix repudia toda e qualquer forma de discriminação!

Recentemente, durante um evento de lançamento, a loja foi vítima de um grupo de pessoas, que chegaram, foram recebidas, partilharam da nossa festa e não tiveram comportamento respeitoso recíproco.

Sempre reativos, quando abordados para uma conversa, distorceram todos os fatos e nos acusaram levianamente de racismo...

Durante o evento, uma cliente da loja foi agredida fisicamente por um dos integrantes do mesmo grupo.

Nós nos sentimos profundamente tristes com o acontecido. Por isso, todos os fatos já foram reportados ao 15º Distrito Policial da Capital de São Paulo, através do Boletim de Ocorrência lavrado sob N.º 1117/2018 policial, que já investiga inclusive postagens nas redes sociais.

Atenciosamente

Loja Choix"

ATUALIZAÇÃO (24 de março, 22h43): A loja Choix apagou a nota de repúdio de seu Facebook e outras publicações em que estava recebendo reclamações. A última postagem da página, no momento, é de janeiro de 2018. A publicação de divulgação do evento no Instagram da loja também foi apagada. Além disso, o perfil no LinkedIn de Márcio Ribas, um dos proprietários da loja, foi apagado.

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Após a Choix fechar as avaliações no Facebook, as pessoas passaram a avaliar a loja negativamente no Google Negócios.

Reprodução / Google Negócios

ATUALIZAÇÃO (26 de março, 14h40): A loja Choix publicou na madrugada de sábado, dia 25, mais uma nota. Dessa vez ela informou que demitiu o funcionário que acusou injustamente os jovens negros de roubo.

      

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