Jovem trans morre após ser abandonada em clínica durante incêndio

Lorena Muniz tinha 25 anos e viajou até São Paulo para colocar próteses de silicone.

Na última quarta (17), a cabeleireira e maquiadora Lorena Muniz, de 25 anos, iria realizar seu grande sonho: colocar próteses de silicone nos seios. Para isso, ela saiu da cidade de Paulista, no Grande Recife, em Pernambuco, e viajou para São Paulo capital.

Reprodução/Instagram

Na sexta (19), Washington Barbosa, companheiro de Lorena há seis anos, postou um vídeo no Instagram informando que a clínica na qual ela estava fazendo a cirurgia foi atingida por um incêndio e a equipe teria saído correndo, deixando a paciente sozinha. Lorena teria ficado sete minutos inalando fumaça até ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros. No vídeo, Washington mostra seu desespero: "Por favor, me ajudem".

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Lorena foi encaminhada para o Hospital das Clínicas de São Paulo em estado grave, mas não resistiu e acabou morrendo.

Marina Meireles/G1 / Via g1.globo.com

O G1 divulgou uma foto do celular da tia de Lorena, Rinalda Muniz, com as últimas mensagens que ela e a sobrinha trocaram antes da cirurgia. A reportagem informa que, "segundo o boletim de ocorrência, uma equipe de uma agência de energia elétrica realizava uma manutenção na rua quando ocorreu uma explosão dentro da clínica, dando início ao fogo. O caso foi registrado como incêndio e lesão corporal culposa pela Polícia Civil da cidade, que abriu um inquérito para investigar o caso." - G1

Segundo o G1, a morte de Lorena foi confirmada somente nesta segunda (22). A Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) publicou uma nota de repúdio pedindo que o caso seja investigado.

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A Antra informou que a clínica Saúde Aqui, localizada no bairro da Liberdade, é muito procurada por pessoas trans de todo o Brasil. O advogado da clínica, Daniel Bassani, disse ao G1 que todos os documentos da empresa estão em dia e que dois profissionais tentaram retirar Lorena da sala de cirurgia, mas que receberam orientação para deixá-la no local até a chegada dos bombeiros.

Divulgação / Via Facebook: clinicasaudeaqui

"A prefeitura de São Paulo disse que a clínica tem autorização para procedimentos cirúrgicos de pequeno porte. O caso está sendo investigado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo como incêndio com lesão corporal culposa, quando não há intenção de matar. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica afirmou que está acompanhando o caso." - G1

A deputada Erica Malunguinho e a vereadora de São Paulo Erika Hilton, ambas do PSOL e transexuais, se solidarizaram com a história de Lorena e com o sofrimento de seus familiares.

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A Antra informa que há uma fila de espera para fazer esse procedimento no SUS. E é por isso que muitas pessoas trans acabam recorrendo ao serviço particular.

"Há uma fila de espera de anos para o acesso aos procedimentos previstos no processo transexualizador do SUS, que enfrenta dificuldades pela falta de investimentos e pelos congelamentos dos gastos em saúde, onde não há profissionais, hospitais e ambulatórios suficientes no país e que durante a pandemia houve uma paralisação em cerca de 70% nas cirurgias[1] e atendimentos previstos para a saúde específica das pessoas trans", informa a nota da Antra.

Washington, marido de Lorena, publicou: "Meu amor só tinha 25 anos, cheia de planos, sonhos e tudo está acabado por pura negligência. Quantas mais teriam que morrer? Não vou deixar isso passar!".

Até quando vamos permitir que esse tipo de coisa aconteça?

Reprodução/Instagram