Fui pra um hotel com o crush pela primeira vez e foi isso que eu aprendi sobre relacionamentos

O dia em que perdi a crush.

"Eu sou tipo uma quinta-feira. As pessoas até gostam de mim, mas sabem que vem algo melhor em seguida." Esse tweet resume perfeitamente minha vida amorosa até aqui.

Verdade verdadeira? Começar um relacionamento é um saco. Conhecer pessoas, lidar com suas ansiedades, respeitar as bagagens emocionais, correr riscos ao se abrir, tudo isso é beeeem chato. É por isso que gosto é de ficar sozinho. Porque ter um relacionamento implica que a presença de outra pessoa tem que ser melhor do que a minha zona de conforto. E cara, eu amo conforto. É aí que entra a Fernanda. Especialista em organização, perita em filmes de terror, sommelier de fotos de gatos e uma das pessoas mais inteligentes que já conheci. Há alguns meses ela tem sido melhor do que maratonar séries e tão boa quanto ficar de bobeira na internet. Ela está tirando de letra o trabalho que é lidar com o bebê. Que bebê? Eu.

Do lado esquerdo, a Rihanna brasileira, virgem com ascendente em aquário. De direito, o Drake mais acessível, sagitário com ascendente em sagitário. Entre os dois, muita vontade de comer lancho.

Sem saber disso tudo, os hotéis das marcas ibis, ibis Styles e ibis budget + a firma (o BuzzFeed) me passaram uma tarefa: Testar essas três marcas de hotéis da rede em São Paulo - até aí, tudo lindo - junto com a crush e escrever sobre as sete coisas que mais me irritam em um relacionamento, aí, não tá mais lindo. Justo eu que nunca me abro (alguém aí falou em "masculinidade tóxica"? Acertou), agora iria me ixpô na internet. Eu que crio testes o dia inteiro, agora ia ser testado.

Após um leve ataque de ansiedade e 4 litros de sorvete, o plano me pareceu mais interessante. Quer dizer, experimentar três marcas de hotéis: tranquilaço. Curtir com a Cremosa: suave, suavecito. Tudo isso SÓ para escrever sobre relacionamentos? Não tinha como dar errado! Exceto pelo fato de que brigamos feio um dia antes de "viajarmos".

ibis Styles

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O silêncio ensurdecedor da viagem de táxi acabou no momento que chegamos ao ibis Styles Faria Lima em Pinheiros. Esse hotel da marca preza por uma experiência mais criativa e pela originalidade dos seus espaços. Tanto que nenhum dos hotéis ibis Styles são uns iguais aos outros. Cada um tem uma temática própria e você pode escolher qual é mais a sua cara. O "urbano" foi o que apostaram que seria a mais minha e bem... acertaram! Os grafitis da entrada principal, a comunicação feita em Lambe-Lambes e os designs tipográficos ajudaram a quebrar o gelo entre eu e a Fernanda, mas não o suficiente para fazer com que a subida de elevador que levava segundos, não parecessem horas.

Sentimento que ignorei no restaurante do hotel. O almoço no QCeviche estava tão MARAVILHOSO que não só ficamos de buchinho cheio como parte da tensão entre o casal sumiu. Ir até o Museu da Casa Brasileira também foi ótimo. Conhecemos um lugar legal que nunca tínhamos visitado, fizemos a digestão do almoshow e me preparei psicologicamente para uma D.R. daquelas já que eu não aguentava mais a tensão que estava no ar. Eu manjo muito de D.R, é simples. Primeiro eu organizo as ideias e entro com argumentos relevantes e bem posicionados, depois eu acabo me desculpando até pelo racismo no Brasil e fim. Mas dessa vez não foi bem assim.

O quarto do ibis Styles é bonzão! Os móveis são diferentões, o banheiro é estilosinho e até a fiação do quarto é descolada. Mas o destaque especial vai para a cama, onde passamos 2 horas e 25 minutos em uma D.R. resultando nos dois primeiros itens das coisas que mais me irritam em relacionamentos:

Eu sou cabeça dura e quando se trata de relacionamentos eu faço o possível para ser prático. Se existe um problema, vamos discutir na hora e resolver logo, certo? PEENNNNNN (isso foi uma campainha), errado. Se tem uma coisa que eu aprendi nessa D.R. é que nem tudo é possível esclarecer na hora, ainda mais de cabeça quente. Durma com raiva sim, tome café da manhã pistola, assista uma série bem puto da cara, mas saiba que ao final você estará mais leve para tomar qualquer decisão de forma mais sensata e com menos erros de comunicação.

Você espera o leite ferver até derramar ou tira ele do fogo antes? Essa dica é sobre relacionamentos e gastronomia. Acumular tudo o que te chateia e falar de uma vez afeta sua capacidade de julgamento, sua paciência acaba e o respeito, ah, o respeito, grandes chances dele se perder pra sempre. Minha D.R. com a Fernanda teve duas horas e meia? Sim. Devíamos ter expressado nossos sentimentos antes? Também. Mas a lição foi aprendida com muito respeito pela opinião do outro. Não espere o leite derramar para tirar ele do fogo, depois dá o maior trabalho pra limpar tudo.

Resolvemos continuar nossa conversa na Rua Guaicuí em Pinheiros, a rua dos barzinhos hipsters de São Paulo e que é bem pertinha do hotel. Chegando em talvez minha grande DICA desse texto: tome um litrão com seu crush, vai por mim. Seis dessas dicas depois, eu já tinha descoberto que ela não pensa em casar, que a estação do ano favorita dela é o outono (????) e que a casa de Harry Potter que a mais representa é a Grifinória. Enquanto ela descobriu que eu amo gin tônica, que eu já quase morri afogado e que eu não gosto de Harry Potter (isso talvez tenha abalado um pouco o relacionamento). O que eu não tinha descoberto ainda era como resolver a questão principal da D.R: Ela não sentia que eu estava levando esse relacionamento a sério ou não. E bem, nem eu.

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ibis budget

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Depois de tomarmos um bom café da manhã no ibis Styles e tirarmos um cochilo -porque também somos filhos de Deus-, pegamos o metrô em direção à estação Paraíso, onde estava nossa segunda experiência, o ibis budget Paraíso. Todos os hotéis ibis são acessíveis e alguns ficam perto de estações do metrô, trem ou ônibus o que é uma BAITA vantagem para quem está querendo turistar pela cidade e economizar no transporte ao mesmo tempo. Falando em economizar... Pelo nome do hotel você já imagina que vai ser no máximo uma experiência honesta (sendo otimista, rs). O ibis budget tem como conceito promover uma experiência inteligente. No sentido de economizar no hotel para que você possa gastar mais em outros passeios. Faz sentido? Muito! Fiquei com o pé atrás? Fiquei. Ao mesmo tempo que eu gosto de economizar, eu não saio de casa pra passar perrengue, não, bixo. Spoiler: Estávamos enganados.

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Além de não sobrar, mas também não faltar nada, ele é bonitão. E passando pelo lobby -que faz você se sentir no Gigabyte da Malhação- demos de cara com a coisa que mais fizemos na viagem. Tirar cochilos? Também, mas não foi isso. Foi elogiar o Kawaii.

Esse era o nome do atendente. Pra quem não sabe Kawaii é "fofo" em japonês e o Kawaii brasileiro foi o cara mais fofo do mundo com a gente! Explicou tudo sobre o hotel, sobre o nosso quarto -que só existia ali e na França, desculpa ai-, sobre os espaços com design sob medida, falou sobre o fato de podermos tirar dúvidas pelo whats do hotel, sobre o check-out rápido que te fazia evitar contato com outras pessoas (tem algo mais perfeito que isso?).

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Olha, Kawaii se ao invés de fazer um bom atendimento, você estava dando em cima da gente... Deu certo, liga nóis.

Botando em prática a ideia do budget, fizemos rolês mais baratos (entenda: de graça) para gastar melhor o nosso dinheiro em outras coisas mais importantes (entenda: almoço). Fomos ao Centro Cultural São Paulo ver uma mostra de artistas independentes, depois à Liberdade conhecer o maravilhoso mundo dos cosméticos de cabelo com nome de filme, juntamente com as quinquilharias otaku que eu me cocei pra não comprar.

Depois passamos pela nossa primeira crise como casal: ter que almoçar depois do meio-dia. Superamos essa dificuldade juntos e fomos de metrô para um restaurante de comida espanhola na Rua Augusta. Ao nosso lado, um casal que estava se conhecendo ao vivo pela primeira vez foi quase tão bom de observar quanto a comida foi de comer.

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O que me leva à terceira e quarta coisas que mais me irritam em um relacionamento:

O casal da mesa ao lado me lembrou daquilo que mantém o frescor nos relacionamentos: estar realmente interessado na vida da outra pessoa. Mas como fazer isso se vocês vivem o tempo todo grudados? Para manter um relacionamento saudável é preciso haver o mínimo de distanciamento. Respeitar seus próprios espaços e a liberdade de cada um, faz com que você se esqueça um pouco do "casal" e te faz lembrar do que realmente fez aquela pessoa merecer um lugar do seu lado.

Acho que a monotonia é a porta de entrada para uma relação chata, cheia de brigas e consequentemente a ouvir a discografia da Marília Mendonça enquanto chora no banho (nada contra, inclusive já fiz). Penso que é preciso, de verdade, querer conhecer a outra pessoa. Se interessar sobre seus medos, perguntar se ela já conheceu algum famoso, saber o "quão trouxa ela é" no teste do BuzzFeed, que comida já fez ela ter dor de barriga, tudo! A chave para um bom relacionamento é ter interesse. Mas o segredo para um relacionamento duradouro é ter várias chaves.

O date da mesa ao lado também me deu uma ideia: recriar o nosso primeiro encontro. Quem sabe assim eu não refletia melhor sobre o fato de estar ou não levando esse relacionamento a sério. Depois de tirar mais um cochilo no hotel (sim, deixa a gente), fomos à noite comer comida mexicana como no dia em que nos conhecemos. Falar dos relacionamentos passados, rir do nosso primeiro encontro e ficar com bafo de nacho, foi bem nostálgico e me mostrou duas coisas óbvias. 1- Que não era uma boa ideia comer pimenta no primeiro encontro (mesmo que não fosse o primeiro) e segundo que sim, parece que eu, que sempre fui "sabonete" (não podia apertar muito que eu escapava), queria mesmo namorar com ela. Só faltava um detalhe: precisava pedir a Fernanda em namoro e ser aceito também, rs.

ibis

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Bem, pedir ela namoro em meio a burritos e uma jarra de sangria parece uma boa ideia? Claro. Poderia ter feito uma aliança de onion rings para completar? Sim. Ia parecer que eu estava bêbado? Não só ia parecer, como era verdade. Mas mesmo com esses bons indícios de pedido perfeito, resolvi esperar o melhor momento. Na manhã seguinte, depois de repetir o combo café da manhã + cochilo, fomos para o ibis Morumbi que também é MUITO perto da estação de trem da região e DO LADO do shopping. Acho que a maior vantagem desse hotel é que ele é não tem surpresas, ele é o que se espera. Confortável na estadia e confiável em seu serviço. Apesar de aconchegante - sim, eles têm cadeiras de balanço e sim, agora elas são o meu sonho de consumo -, o hotel não é entediante. No período em que estivemos hospedados havia um festival de hambúrguer e um evento especial para quem curte jazz <3. Depois de cumprir o ritual de fuçar em todos os cantos do quarto e usar o showveiro - ele realmente era muito show -, fomos para mais um passeio do roteiro, a Casa de Vidro da Lina Bo Bardi. A casa modernista é maravilhosa. É palpável o carinho dela com as coisas que fazia, assim como o carinho que ela tinha ao receber seus hóspedes em suas criações.

Uma obra de arte e a casa da Lina Bo Bardi.

O que me faz lembrar da quinta coisa que mais me irrita em relacionamentos:

Duas perguntas. É possível ter um relacionamento com alguém que você não admira? E com quem não te enaltece? O bom dessas duas perguntas é que eu economizo na resposta: Não. Deus me defenda de ficar com alguém que eu não queira exaltar todos os dias ou de ficar com alguém que não me trate como o bebê que eu sou. Se mesmo nos piores momentos, você não admira a outra pessoa como nos melhores, repense. E claro, fique ATENTA se a outra pessoa não fizer o mesmo com você, assim você diminui a pontuação no quiz "O quão trouxa você é?".

A chuva nos fez pegar um carro até o shopping para nos abrigar. Três copos de bebida depois me pareceu uma boa ideia levar ela até os fliperamas do shopping e pedir em namoro com um daqueles prêmios bregas que você consegue com tickets, sabe?

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Entre várias cestas não feitas e várias bolas perdidas no pinball a única coisa que consegui ganhar foi essa caneta

Reparem no semblante de decepção.

e o sexto item da lista:

O momento em que você percebe que as fotos do casal do celular não te representam mais, é bem triste. Mas sabe o que é mais triste? Continuar encenando um relacionamento que não te acrescenta em mais nada, que não sai do lugar, que rola briga o tempo todo, que nenhuma expectativa é atendida, que só te levanta suspeitas, que restringe sua liberdade, que você espera uma grande mudança cair do céu ou todos os itens anteriores juntos, é BEM MAIS triste. Como diria uma amiga minha: "Nada vale o esforço de se moldar e caber em um lugar que te faz mal." ROCHA, Suria.

O que mais aprendi nessas 72 horas experimentando os hotéis das marcas ibis com a Fernanda foi: não é sobre achar o amor da vida, é sobre construí-lo. Está tudo nos pequenos gestos diários, nos apelidos carinhosos que só vocês entendem, no sentimento de que vale a pena superar os problemas cotidianos por aquela pessoa e principalmente quando você percebe que estar junto dela é TÃO bom quanto estar consigo mesmo -nunca esqueçamos do amor próprio, hein!? E sabe de uma coisa? Pode ser que nem assim ele dure pra sempre, mas é apenas curtindo ele da melhor maneira possível que ele vai se tornar inesquecível. É clichê? É. Mas todos os clichês são verdade.

Último item da lista:

Me irrita quando você tira os cravos da minha cara e afunda meu crânio. Ou quando você reclama do meu exagero, mesmo eu sabendo que você está certa. Quando você deixa a tampa do vaso levantada ou quando eu quero ficar em silêncio de manhã e você quer conversar muito. Mas me irrita MUITO mais saber que eu posso te magoar ou não te fazer feliz. Eu quero comer muitos lanchos com você, fazer barulho de peido na sua barriga e ouvir MC Livinho juntos. O que é uma caneta perto de um post no BuzzFeed?

Bebê, quer me ajudar a mudar o subtítulo do post para: "O dia em que perdi a crush e ganhei uma namorada?"

Se flopar, esse pedido nunca existiu, mas a recomendação sim. Parabéns, ibis.

Fotos: Gabriel Sukita e Fernanda Gomes
Design: Laura Hoerner e Gabriel Sukita
Beleza do casal: Fernanda Gomes
Rolê top das galáxias: ibis e BuzzFeed

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