Fomos ao Afropunk e mostramos que a coisa é bem preta por lá

Se queremos novas narrativas, é crucial termos novos narradores.

Quando olhamos para as histórias que nos são contadas desde pequenos, nos vemos retratados a partir do olhar do outro, com tudo que isso implica: seus valores, sua cultura, seus conceitos pré-concebidos, seus hábitos. O resultado é uma imagem, muitas vezes, distorcida. Por isso, se queremos novas narrativas, é crucial termos novos narradores.

O QUE AFROPUNK TEM A VER?

Eu, Milo Araújo, 26, embarquei para Nova Iorque pra curtir um som em uma das maiores metrópoles do mundo. No Afropunk do Brooklyn, um dos bairros mais pretos da cidade, acontece um festival concebido, produzido e consumido amplamente por pessoas pretas. Quase um pedacinho de Wakanda.

Newman Costa / Arquivo Pessoal

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Newman Costa / Arquivo Pessoal

Nessas fotos de Newman Costa, vemos mãos pretas que não estão estendidas pedindo. Elas estão levantadas exaltando os seus, criando e projetando um futuro brilhante.

Além das grandes produções e lookinhos bafos, o que me chamou bastante atenção foi o olhinho da galera brilhando, sempre buscando algum momento foda dentro do Afropunk.

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Newman Costa / Arquivo Pessoal

Newman Costa / Arquivo Pessoal

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Vivendo nesse momento louco atual, foi um grande abraço quentinho estar num evento tão destemido. Os pretos estadunidenses passaram por um processo diferente de formação de identidade e negritude, com as coisas mais "preto no branco".

Newman Costa / Arquivo Pessoal

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Eu consegui sentir essa diferença a cada respirada funda que eu dava naquele espaço, com geral orgulhoso da sua raça — e eu com minha pele mestiça não deixava esquecer que eu era brasileira.

Newman Costa / Arquivo Pessoal

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É bom destacar também que Afropunk é um belíssimo encontro de pretas e pretos dentro do contexto da Diáspora Africana, tendo muita ancestralidade no clima.

A cultura preta, seus valores, filosofia, música (e muito mais) é passada de forma oral, de pais para filhos. Tudo isso é evidenciado num festival onde pessoas pretas, de todos os lugares do mundo, se juntam para celebrar e percebem que tem muita coisa em comum.

Newman Costa / Arquivo Pessoal

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Newman Costa / Arquivo Pessoal

Eu não via tanta gente preta reunida desde o Festival 100% Favela, que rola todo ano na Avenida Sabin, no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo (um salve para os manos da Fundão!).

E isso é muito inspirador.

É a prova de que, além de correria, pagar conta e sobreviver, estamos em movimento. Se lá eles falam Black People Joy, aqui nós falamos Tamo Vivão e Vivendo.

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Newman Costa / Arquivo Pessoal

Ah, e ainda vamos ter uma reprodução desse festival no Brasil. Pode entrar, Afropunk Salvador 2020! Estamos ansiosas para dar nosso temperinho baiano neste festival único. Ninguém duvida que o brasileiro consegue mudar absolutamente QUALQUER festa pra melhor.

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Newman Costa / Arquivo Pessoal

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