6 estereótipos de mulheres pretas que precisam ser repensados

Nem raivosas, nem quentes na cama, fortes demais ou empregadas. Mulheres pretas são muito mais.

O Mês da Consciência Negra sempre nos exige muita paciência para lidar com os falsos discursos de representatividade e com a necessidade de dizermos o óbvio. Não precisamos ser fortes o tempo todo e não precisamos carregar o peso das nossas lutas até que nos sufoquem, nos matem ou nos roubem de nós mesmas.

Imagem de Lélia Gonzalez.

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A desumanização sofrida pela população preta ao longo da história do Brasil serviu de base para a construção de estigmas que marcam nossas vivências e criam imagens de controle presentes até hoje na sociedade. O artigo “Racismo e Sexismo no Brasil”, escrito por Lélia Gonzalez em 1984, nos ajuda a compreender como o senso comum mantém há mais de 400 anos (desde o período escravocrata) muitos preconceitos e estereótipos diante de mulheres pretas.

Desde a tal preta barraqueira, a que é quente na cama ou aquela que ocupa o papel de servidão, até os outros estereótipos que não pontuei aqui, a nossa representação sempre é emblemática. Por isso, aproveitei dessa data para compartilhar o que está para além das imagens de controle que tentam nos impor no dia a dia.

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1. A preta raivosa e barraqueira.

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Uma das dimensões dessa opressão é o estereótipo das mulheres pretas raivosas ou bravas. Aquelas que são conhecidas como as "barraqueiras", as figuras fantasiosas que reiteram a violência provocada pelo racismo e atribuem características mais agressivas sobre as nossas ações. É por meio da manutenção dessa imagem que os privilégios são mantidos e os nossos argumentos são desarticulados, deslegitimados e descredibilizados sempre.

2. A preta quente na cama.

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O corpo da mulher preta sofre opressões de gênero e raça desde os estupros praticados pelos senhores de engenho no Brasil Colônia até hoje. Foi a partir das violências escravocratas que criaram o imaginário da "mulata", de que somos feitas para servir, pois somos "mais fogosas e quentes na cama que as outras mulheres". Assim, a hipersexualização nos acompanha como um objeto sexual mais suscetível aos abusos, violências e, sobretudo, a falta de afeto.

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3. A preta forte e inabalável.

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O senso comum sempre tende a acreditar que as mulheres pretas são as mais fortes, e desde 1530 já utilizavam desse discurso para tentar justificar a escravidão e o por que devíamos fazer os trabalhos mais braçais. Assim foi retirada a nossa condição de humanidade, as nossas subjetividades e fragilidades, nos tornando cobaias de experiências científicas por décadas até os dias de hoje, onde muitas mulheres pretas ainda sofrem violência obstétrica em hospitais.

4. A preta doméstica e que serve.

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A mídia e o entretenimento sempre alimentaram o estereótipo de que mulheres pretas são empregadas domésticas ou devem estar em posição subalterna. Afinal, fomos criadas para "servidão", atendendo o desejo de quem está acima e naturalizando o racismo estrutural - fazendo com que o senso comum nos enxergue sempre abaixo da pirâmide social. Assim somos confundidas como funcionárias, atendentes ou alguém que serve, mas nunca somos vistas nos lugares como quem consome e lidera.

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5. A mãe preta que acolhe.

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A maternidade associada às mulheres pretas tem sua origem a partir da posição de escrava, ama de leite, empregada e babá. Aquela mãezona que ama demais a família, que serve e faz de tudo por ela - seja como cozinheira de mão cheia, realizando afazeres ou como conselheira, a sua vida é servir. O problema desse estereótipo é que reforça um lugar de eterna disposição, sem vida ou motivação própria, sendo que toda a sua força e personalidade são usadas em prol de acolher os outros e fazer bem a todos.

6. A preta guerreira e batalhadora.

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A visão de que somos fortes anda acompanhada do estereótipo da mulher preta durona, guerreira e batalhadora. Aquela que enfrenta diversos desafios em seu dia a dia de forma inabalável, sendo capaz de carregar qualquer fardo por possuir uma força psicológica e física indestrutível. Porém, durante séculos isso foi usado para justificar todo tipo de violência direcionada contra nós, desde trabalho braçal forçado até o uso de corpos pretos para estudos médicos.

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7. Agora me conta: você lembrou de algum outro estereótipo relacionado às mulheres pretas e que não compartilhei aqui? Enquanto pensa mais sobre, deixo aqui um vídeo onde aprofundo mais sobre o assunto e como a mídia contribui para esse processo.

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