"A música brasileira é simplesmente a minha favorita": batemos um papo com Alessia Cara

A canadense se apresenta no Lollapalooza deste finde.

Alessia Cara é um dos nominhos que atraiu uma galera pro Lollapalooza 2022. Não atoa, apesar dos 25 anos, a canadense tem uma carreira sólida, com hit atrás de hit, e um carinho especial pelo Brasil.

Batemos um papo com ela sobre referências, expectativas - e sobre como é ser uma artista internacional meio low profile. Se liga:

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BuzzFeed Brasil: E aí, conseguindo escapar dos hotéis e ver um pouco do Brasil?

BuzzFeed Brasil

Alessia Cara: Sim! Eu dei uma passada no Rio antes de vir pra São Paulo e turistei lá por três dias. Fiz todos os passeios: Corcovado, Pão de Açúcar, Cristo, Ipanema, show de samba. Agora aqui em São Paulo, além do Lolla Palooza, eu já aproveitei pra fazer umas compras, e venho comendo pra caramba - aliás aqui é a única cidade da América Latina em que encontrei leite de aveia então OBRIGADA. To bem ansiosa pra conseguir explorar por aqui, porque a real é que sou uma garota de cidade grande...

Buzz: Seu último álbum tem algumas influências BEM brasileiras, né? De onde veio essa conexão?

Alessia: Acho que começou comigo pesquisando sobre jazzes antigos, quando tinha uns 13, 14 anos. Eu cresci amando Amy Winehouse e vários outros artistas que se envolviam com Jazz, tipo a Nina Simone e o Billy Holiday. Disso, eu acabei esbarrando com vários artistas de Jazz europeu, e depois, Jazz latino americano, que me levou pro samba, bossa nova... isso abriu uma porta que eu fique chocada. É o melhor som do mundo. Eu amo. Começou a virar uma coisa até meio ritualística pra mim: eu amo ouvir no avião, quando estou cozinhando, quando faço faxina. É simplesmente meu gênero favorito. Eu me apaixonei pela cultura brasileira. É linda!

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Buzz: Além de "Blue Bird", em "Find My Boy" você também chega até a citar partes do Brasil. Você se imaginava cantando aqui, enquanto compunha?

Alessia: Com certeza! Eu escrevia e pensava "puts, seria incrível cantar isso no Brasil!" Eu falo sobre o Rio, sobre Ipanema, então isso estava sempre na minha cabeça hahaha!

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E algum artista que já tinha vindo pra cá chegou a comentar contigo sobre como é se apresentar no Brasil?

BuzzFeed Brasil

Puts, sim, em todo lugar que eu vou. Não importa onde eu vá, ou com qual artista eu converse, sempre me falam que aqui é onde está a platéia que canta mais alto. Então não posso esperar pra ver isso, tô cheia de expectativas, porque os fãs sempre foram muito carinhosos comigo no online, e me receberam super bem. Então espero que o pessoal curta.

Buzz: Falando no online, você é super low profile nas redes. E isso gera uma parada curiosa: suas músicas são super pessoais, ao mesmo tempo você é uma popstar. Como você faz pra que as pessoas continuem se identificando contigo, ainda mais sem essa presença tão forte nas redes sociais?

BuzzFeed Brasil

Isso é bem difícil. Na real, é meio que uma briga diária que eu tenho comigo mesma. Porque eu acho que atualmente não parece ser o suficiente você ser uma cantora, sabe? Você meio que precisa ser uma influencer também. Têm que escancarar tanto sua vida pública que todo mundo se acha no direito de se meter, e eu não concordo muito com isso. Eu acho que, apesar disto fazer parte do pacote, eu sou - antes de mais nada - uma música. E e acredito no poder de ser uma artista mais do que em qualquer outra coisa. Pra mim, é mais do que contar a sua história, é sobre contar a história de todo mundo usando suas palavras, sabe? E é nisso que eu foco, é isso que eu acho que nos une mais do que qualquer outra coisa.

Eu acho que, ao mesmo tempo que as redes sociais podem nos unir, frequentemente meio que distância a gente, porque você começa a pensar meio "Nossa, o que essa pessoa está fazendo? Quantos seguidores tem fulano? Eu tenho mais ou menos? E não é real, sabe? Acho que é menos sobre olhar pra cima ou pra baixo, e começarmos a olhar em volta.

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Buzz: Eu amo que seus albums são super segmentados: o primeiro fala sobre a adolescência, o segundo sobre começar a viver uma nova vida e o terceiro sobre encarando a vida adulta. Como você se sente quando canta uma música de uma fase que já está passada? E as músicas desse album de agora ainda estão valendo, ou você já começou a escrever o próximo e fechou essa fase?

BuzzFeed Brasil

Eu total já comecei a escrever pra caramba sobre a nova fase da minha vida. Comecei a escrever esse album no meio da pandemia, então, você sabe... eu já me sinto uma pessoa completamente difetente. Tenho certeza que nos últimos anos muita coisa aconteceu na vida de todo mundo, e na minha também e eu venho escrevendo bastante sobre isso.

Ao mesmo tempo, eu com certeza continuo me conectando até com minhas músicas mais antigas porque, sabe eu sempre vou ser aquela pessoa. Eu sempre vou ter alguns stresses.Eu sinto, que alguma forma, a gente sempre vai manter uma criança confusa dentro da gente.

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