Entenda o caso da adolescente que morreu de síndrome do choque tóxico durante uma excursão escolar

A SCT é uma complicação rara e letal causada por uma infecção bacteriana e pode acontecer com qualquer um.

A estudante Sara Manitoski, 16, morreu em uma excursão escolar no ano passado pelo que foi depois confirmado por um médico legista como síndrome do choque tóxico (SCT).

Sara Manitoski / Via facebook.com

Sara tinha saído para uma excursão com seus colegas em Hornby Island, próximo à Ilha de Vancouver (Canadá). A jovem passou o dia participando das atividades normalmente e, de tarde, relatou a seus amigos que não estava passando muito bem, de acordo com um relatório do serviço de medicina legal da província da Colúmbia Britânica.

Sara não comeu muito no jantar e logo foi dormir em sua barraca. Na manhã seguinte, seus amigos acharam que ela ainda estava dormindo e foram tomar café da manhã. Quando voltaram, ela não respondia. Os professores e paramédicos tentassem reanimá-la fazendo a reanimação cardiorrespiratória, sem sucesso.

Mais tarde, o relatório do médico legista confirmou que a bactéria Staphylococcus aureus havia sido encontrada no OB usado pela jovem e que sua morte era compatível com a síndrome do choque tóxico (SCT).

"Minha irmã reclamou de de dores no estômago antes de ir dormir e depois nunca mais acordou. Minha linda e inteligente irmã morreu por causa disso, então, compartilhem, se informem e sejam cuidadosas quando usarem OB, escreveu a irmã de Sara, Carli Manitoski, em no Facebook. O BuzzFeed tentou entrar em contato com Manitoski, mas ela se recusou comentar.

      

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A síndrome de choque tóxico é uma complicação rara e letal causada por uma infecção bacteriana e pode acontecer com qualquer um.

Getty / Via gettyimages.com

"A síndrome do choque tóxico ocorre quando a bactéria Staphylococcus aureus se prolifera em uma região e passa a liberar toxinas", disse Alyssa Dweck, ginecologista-obstetra de Nova York, ao BuzzFeed News. Além dela, outro tipo de bactéria, a Streptococcus pyogenes, também pode causar a SCT.

A SCT é rara. Nos EUA, o número de casos fica em torno 1 para cada 100.000 pessoas, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Quando toxinas são liberadas por essas bactérias, ocorre uma resposta imune que danifica tecidos e órgãos no corpo. Os sintomas incluem: febre alta súbita, baixa pressão sanguínea e erupções cutâneas semelhantes a queimaduras de sol, disse Dweck.

A SCT pode progredir rapidamente e levar a insuficiência renal, choque, sepse ou morte em questão de horas após o início dos sintomas. A bactéria deve estar presente dentro ou no corpo para a SCT ocorrer. A S. aureus normalmente vive na pele ou no trato respiratório, nariz, vagina e reto. Cerca de metade da população carrega a bactéria sem quaisquer sintomas ou problemas.

Nem todas as infecções com essas bactérias, no entanto, levarão à SCT.

Em 1980, houve uma alta nos casos de SCT entre mulheres que usavam um tipo de OB altamente absorvente durante um período de tempo prolongado. No entanto, a SCT pode acometer qualquer um, incluindo homens e crianças, e outros fatores de risco incluem feridas na pele, cirurgia recente, infecções ósseas, contraceptivos de barreiras, queimaduras e tomar medicação que iniba o sistema imunológico.

Aproximadamente 50% de todos os casos de SCT reportados não estão ligados à menstruação, segundo Dweck.

Então, por que exatamente a SCT está ligada aos absorventes internos e o que isso significa para as mulheres menstruadas?

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Os absorventes internos ainda são considerados seguros e os altamente absorventes (que foram ligados à SCT nos anos 80) já não estão no mercado.

Emilija Manevska / Getty Images / Via gettyimages.com

O absorvente interno, por si só, não causa a síndrome, já que as bactérias que podem levar à SCT já estão no nosso corpo. "A bactéria já precisa estar na vagina. O problema é quando o absorvente interno é muito absorvente ou fica por muito tempo dentro do corpo – são essas situações que favorecem a liberação de toxinas", disse Dweck.

No entanto, após o aumento de casos de SCT relacionado à menstruação nos anos 80, muitos fabricantes mudaram os componentes dos absorventes internos, disse Dweck.

Hoje, a maioria dos absorventes internos são feitos de uma mistura de raiom e algodão e são totalmente seguros. Algumas marcas oferecem 100% de algodão, ou OB orgânicos, mas estes não diferem em termos de segurança e absorção.

Além disso, os OB não são os únicos culpados. "Qualquer coisa que fique dentro da vagina por um longo período de tempo pode aumentar o risco de infecção", disse Dweck. Entre eles estão coletores menstruais, diafragmas e camisinhas.

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Felizmente, você pode reduzir o risco da síndrome de choque tóxico, que é tratável se descoberta cedo.

Holly Hildreth / Getty Images / Via gettyimages.com

Algumas precauções simples podem ajudar a reduzir o risco de SCT. "Use um absorvente interno com menos capacidade de absorção e troque-o com regularidade. Além disso, ele não deve ficar no corpo mais do que 8 horas — tempo suficiente para uma noite inteira de sono", disse Dweck.

Se você estiver sangrando muito, troque o absorvente com mais frequência ainda. Além disso, nunca use um se você não estiver menstruada. "Muitas mulheres chegam a usar OB todos os dias para não terem que lidar com as secreções naturais da vagina — nunca faça isso", diz Dweck.

Ainda há o risco de SCT quando você tem algo na sua vagina por um longo período de tempo — incluindo os coletores menstruais. Nos últimos anos, os coletores menstruais foram promovidos como uma alternativa mais segura aos absorventes internos, mas novos indícios mostram que eles também podem levar à SCT.

Então não deixe de usar o seu coletor menstrual do mesmo jeito que usaria um OB, ou seja, esvaziando-o com frequência e não deixando ele dentro da vagina por longos períodos de tempo. Se a SCT for descoberta cedo, ela pode ser tratada, diz Dweck.

É importante ficar atenta aos sintomas. "Se você estiver com uma erupção de pele parecida com uma queimadura de sol, ou febre alta súbita e queda na pressão sanguínea associada a um período de menstruação e ao absorvente interno, procure um médico imediatamente", diz Dweck.

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A tradução deste post (original em inglês) foi editada por Luísa Pessoa.

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