Driblando o YouTube, mulheres apostam em nova trend: pornografia disfarçada de faxina

Elas sacaram um jeito de enganar a plataforma e ganhar uma grana com conteúdo +18.

Quando o assunto é pornografia, o YouTube dá pouca margem à interpretação. "Não é permitido publicar conteúdo explícito com o objetivo de satisfação sexual", crava, logo de cara, o texto sobre as políticas da plataforma em relação à nudez. Quem contraria as regras é imediatamente banido do sistema. Pelo menos na teoria.

Para fins jornalísticos, passei a semana vendo os mais diferentes tipos de putaria no YouTube - de pepekas explícitas a seios em alta definição, coisas que fariam um espectador do Cine Band Privê corar. Tudo está disponível na plataforma, escondido entre um vídeo de pegadinha e o clipe novo da Anitta.

Isso porque um grupo de mulheres descobriu a manha de como enganar o algoritmo anti-pornografia - e está ganhando uma grana com isso.

Os vídeos começam quase sempre do mesmo jeito. A estrela se apresenta, bem perto da câmera, mostrando geralmente apenas o rosto. Em seguida, ela te dá uma dica de faxina: como organizar melhor um quarto, como limpar janelas de maneira inteligente, como deixar a cozinha brilhando.

A mina se afasta, começa seus afazeres e, opa... deixa um peitinho aparecer. Agachou para pegar o lixo e, puts, mostrou rapidinho que está sem calcinha. Troca de roupa fora da câmera - mas um espelho flagra tudo no canto da tela.

"Entendeu como faz? Não esquece de ativar o sininho", e o vídeo acaba.

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O Youtube é treinado para sacar a dinâmica de pornografias comuns: um zoom ginecológico depois que o entregador de pizza chegou? Não consegue nem entrar no ar. Mas as brasileiras em questão sacaram que a beleza da vida está nos detalhes. Nem o algoritmo mais fetichista poderia computar que o melhor lugar para mostrar uma bundinha é entre uma limpada de janela e outra.

Nessa brecha, elas criaram todo um nicho.

"Pô, mas o público dessas minas nunca vai encontrar esses vídeos", você pode até pensar. Com títulos que prometem tutoriais sobre faxina, de fato, o consumidor médio de pornô pode até ter tido alguma dificuldade pra achar o caminho das pedras. Mas, definitivamente, encontrou.

Uma olhada rápida nos comentários e dá para sacar que, na real, eles adoraram a nova modalidade. Rola até uma fetichização do que está acontecendo na tela. A fantasia da empregada, da dona de casa, vai entrando numa espiral que se complementa com outra categoria: a do pornô amador.

As publicações, vale notar, não têm nada da estética que filmes pornô adoram criar: esqueça mansões, luxo, carrões. Aqui temos casas simples, muitas vezes com o cimento aparecendo nas paredes. É outro tipo de conteúdo.

É interessante que, apesar do algoritmo não sacar que esses vídeos são pornográficos, ele percebe que todos têm algo em comum. Basta achar um para que a aba de publicações sugeridas mostre outra dúzia de vídeos que seguem a mesma pegada. Fica fácil pra quem está procurando.

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O resultado? Milhões de vizualizações em curtíssimo período tempo.

Um dos canais que encontramos, por exemplo, conseguiu 2,5 milhões de plays em apenas 11 meses. Outro, que começou em julho deste ano, fez ainda mais sucesso: 5,4 milhões. E esse não é o teto. O mais popular que encontrei, em um ano, conseguiu bater os 11 milhões de visualizações.

Esse alto consumo, inclusive, ajuda até quando as coisas dão errado. Um dos vídeos mais explícitos que encontrei, onde uma mulher lentamente depilava a própria pepeka - em um vídeo que mostra tudo pelo reflexo do espelho - começava justamente com ela dizendo que seu antigo canal havia sido derrubado. Ela então contava com ajuda para que os fãs se inscrevessem na nova conta. A gravação foi publicada em 27 de setembro, e o canal já conta com 1.322.042 visualizações - mesmo com só dois vídeos postados.

E, no YouTube, visualização não é só exibicionismo. É grana.

A plataforma pode pagar até 4,50 dólares a cada 1.000 visualizações. Na cotação do dólar de hoje, o valor giraria em torno dos R$ 25. Em teoria, recebendo este valor máximo (que raramente é alcançado), o canal mais assistido dos citados acima tem o potencial de ter gerado R$ 276 mil.

Para se ter uma comparação, sites adultos como o Pornhub pagam em torno de 69 centavos de dólar por mil plays. A mesma audiência geraria R$ 43 mil.

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Patreon de uma das mulheres. Reprodução / Patreon

Muitas, no entanto, não colocam anúncios no vídeo - ou seja - não tiram um real desses views.

Ainda assim há um espaço para a grana, só que adotando outra estratégia: a da fidelização. O YouTube serve de porta para que essas minas consigam assinantes em redes como o Patreon ou o OnlyFans, onde os inscritos pagam mensalidades que giram em torno dos R$ 50 para terem conteúdo exclusivo. Um dinheiro mais garantido do que o que vem dos views.

Reprodução / Youtube

Em sua política sobre nudez, o YouTube admite: "É claro que existe uma área cinzenta" sobre o que é proibido ou não na plataforma. Cinza? Nada que uma faxininha não deixe brilhando.

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