Conversamos com a designer de produção de Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Um pouco menos sobre o filme e um pouco mais sobre a equipe.

BuzzShe

Amanhã (30) estreia "Família Mitchell e a Revolta das Máquinas" na Netflix.

É uma animação sobre a última família que não foi capturada por robôs, e agora tem que salvar a humanidade.

E conversamos com Lindsey Olivares, a designer de produção e designer de personagens do filme.

BuzzFeed/Linsay Olivares

Uma designer de produção é alguém que idealiza qual o visual do filme a partir do roteiro e da direção, e designer de personagens é quem cria os personagens fisicamente. Ou seja, Lindsey basicamente realizou o mundo que foi criado no roteiro.

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Nesse papo, falamos menos sobre o filme em si, e mais sobre a carreira de Lindsey.

  • Eu vi que você faz ilustrações, além da sua carreira nos filmes. Como você começou e foi parar na Netflix?

"Como todas as crianças, sempre amei desenhar. A parte boa foi que minha família também era das artes, meu pai era guitarrista e minha irmã também é pintora e ilustradora, então crescemos desenhando juntas. Minha mãe nos deixava pintar nas paredes de casa, nas portas, no banheiro, então fomos cercadas por murais. Eles me encorajaram a ter isso como estilo de vida e sustento, então nunca parei. Comecei desenhando coisas coloridas e bichos quando era criança, aí fui aprendendo realmente os fundamentos.


Eu me formei em Animação Digital, e na faculdade aprendi as etapas de um filme de animação, criação de personagens, superfícies, modelagens, um pouco de tudo. Foi lá que percebi que ser animadora também envolvia um pouco de atuação, e não era o que eu queria. Aí encontrei esse espaço de desenvolvimento visual, que é o melhor dos dois mundos pra mim, entre ilustração e animação."

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"Tive sorte de ser contratada pela DreamWorks quando saí da faculdade. Fiquei alguns anos lá, participando da equipe de 'Madagascar 3'. Foi ótimo porque participei desde o começo da fase de desenvolvimento visual e fiquei até o final. Acabei fazendo um pouco de tudo, design de set, iluminação, desenvolvimento visual, figurino... e aprendi muito sobre o departamento de arte na produção de um filme.


Depois disso decidi tirar um tempo pra mim, fui morar com a minha avó e meio que fiz o que quisesse fazer. Isso me ajudou com freelas diretamente com diretores desenvolvendo projetos de novos filmes. Foi uma experiência mais próxima da história dos filmes. Isso acabou me levando a um dos projetos de Michael Rianda, o diretor de 'Família Mitchell'."

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"Ele me procurou, e tinha acabado de ser contratado na Sony como diretor pra desenvolver projetos. Lá eu participei do ciclo completo do filme, comecei como designer de personagens e me tornei a designer de produção quando começamos a fazer o filme.

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  • Você esperava começar tão cedo em grandes produções?

"Não posso falar que esperava por isso, mas eu torcia. Torci muito que aquilo funcionasse, e acabou sendo bastante divertido."

Divulgação/Netflix

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  • Sabemos que a indústria do cinema é majoritariamente masculina, e pode ser difícil pra mulheres formarem sua carreira dentro dela. Você enfrentou essa disparidade?

"Na Sony, nas cadeiras executivas, a maioria da chefia é de mulheres. Eu amo isso. Sinto também que a minha equipe tinha uma boa mistura. Não sei o número exato, mas tenho a sensação que era metade, metade. Isso era importante pra mim. E não é como se alguém estivesse lá cumprindo uma cota, eu tinha muito orgulho de todos que estavam lá. Todos são muito talentosos.


Eu sei que, como indústria, os papéis de liderança nos filmes ainda não são equilibrados, há muito mais homens do que mulheres lá. Talvez isso seja algo que possamos evoluir no futuro. Sinto que no meu time já pudemos ver melhorias, e que estamos num momento que as pessoas estão prontas pra essa diversidade maior em vozes criativas."

Divulgação/Netflix

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"Acho que grande parte disso vem da confiança de todos os lados em pessoas que não aparentam ter feito aquela função antes, sabe? Por exemplo, essa foi a primeira vez que fui designer de produção, e algumas pessoas não confiaram em mim. Perguntavam tipo: 'Você... sabe fazer isso?', e eu sabia, já tinha participado de equipes de design de produção. Mas tive sorte das pessoas certas me apoiarem e me deixarem segura.


E acho que até pra mim mesma foi importante encontrar essa confiança. Entre artistas há muita síndrome de impostor, e tem um elemento maior ainda com mulheres, já que você olha em volta e não encontra muitas outras com você. Além de outras pessoas confiarem em você, você tem que ter muita fé em si."

Divulgação/Netflix

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"Eu tive que desconsiderar qualquer síndrome de impostor que tivesse, ainda mais por estar em um filme grande. Tive que encontrar a segurança de poder pensar: 'É assim que imagino, e acho que isso está certo'. Isso foi mais fácil quando pensava que era sobre o filme, e não sobre mim. Como mulher, ignorar esse impostor e confiar em si e no seu projeto faz grande parte da história. Foi isso que enfrentei na minha jornada.


Fico muito feliz de ter tido mulheres incríveis na minha equipe, ainda mais no departamento de arte. Lily Nishita, Alice Lemma e Lizzie Nichols foram algumas artistas incríveis que tive ao meu lado."

Divulgação/Netflix

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O filme estreia amanhã (30) na Netflix.

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