Conheça Grag Queen, a próxima drag brasileira a conquistar o mundo

Grag é a primeira brasileira a fazer parte da família "Drag Race".

Primeira brasileira a integrar a grande família de "Drag Race", Grag Queen surpreendeu ao ser anunciada como participante da primeira temporada de "Queen Of The Universe", um reality que mistura voz, talento, carisma e, claro, presença de palco. A artista bateu um papo com o Buzzfeed e contou como foi o convite, a ida até Londres para as gravações e o que tirou de lição dessa jornada que pode mudar sua vida.

A chegada de Grag para um programa que será exibido no mundo todo não poderia ser diferente. Em uma chamada de elenco feita nas redes sociais, a gaúcha viu ali a chance de sua vida. Se inscreveu e não deu outra.

"Então esse programa foi uma doideira né? Eu sempre falo que quem me levou até o 'Queen Of the Universe'' foi o próprio universo, né? Todo mundo me marcou num post que eles liberaram. Eu me inscrevi na cara e na coragem e me chamaram. Fiquei muito feliz, muito passada. Foi onde eu recebi o grande abacaxi pra descascar", conta.

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O preparo para o programa foi uma maratona. A artista precisou levar todos seus looks prontos na mala de viagem que levou a Londres, local das gravações. Com uma produção de grande nível, muitos profissionais de gabarito ajudaram as participantes a entregarem o seu melhor no palco.

"Todo mundo tem equipes. De repertório, figurino, equipe de tudo. A gente começou primeiramente pesquisas de figurino, porque eu levei tudo daqui. Ninguém me produziu lá. Ou seja, imagina levar aquelas penas tudo pra lá? Aí a gente começou essa pesquisa de fashion, depois comecei a pesquisa de repertório, pois cada semana eles iam dando um tema. Aí a gente discutia com os diretores musicais e uma equipe gigante muito legal de pessoas que trabalhavam comigo de coaching, vocais, arranjadores, produtores musicais gigantescos como o Leland (ele já produziu e escreveu canções para Selena Gomez, BTS, Troye Sivan), que estava sempre comigo e a gente decidia todo mundo junto pra fazer o que melhor funcionava pro programa. Mas eles deixavam a responsabilidade da escolha para mim, sempre."

O time de jurados era formado por queens de diversas áreas: a cantora e atriz Vanessa Williams, que já bateu um papo com a gente sobre o programa, a cantora e jurada de "Drag Race" Michelle Visage, a drag queen Trixie Mattel e a cantora Leona Lewis formavam o painel. Ali a função delas, além de delegar quem fica e quem sai, era também de mentorar as participantes.

"Eu disse então que a gente veio aqui pra aprender, a gente veio aqui porque eles estão interessados em uma linha de evolução, não em alguém que está pronto. Eu disse: vamos arrasar. Eu fiquei muito feliz porque era tudo que eu ouvia fazia muito sentido, eu podia mudar, cada vez eles me pediam pra me puxar mais e mais e mais e eu disse: 'não, é o meu limite, é o meu limite', só que não era. Porque eles sabiam, eles viam de fora e eles acreditavam em mim. E esse era o melhor sentimento do mundo."

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Grag divide o palco com outras 13 drag queens, e o que não falta é diversidade neste programa. Tem gente da Austrália, França, Canadá, Índia, México, Estados Unidos, Inglaterra, Dinamarca e China. Ela conta que sua relação com as colegas foi bem pacífica e que elas perguntavam sobre como era ser uma artista no Brasil.

"Eu me dei bem com todo mundo, não briguei. Se quisesse brigar comigo, mana, está doida que eu vim aqui de lá de Canela pra ir brigar com as outras pessoas? O nome do negócio é 'Queen of the Universe'. O título é de Rainha do Universo. A única coisa que o universo não precisa é de treta, gente. Já tem muita treta por aí. Vamos se mostrar, vamos mostrar a nossa arte, vamos mostrar nossos corpos, vamos mostrar nossos rostos, vamos cantar pro mundo porque é sobre se divertir. E elas, quando elas brigavam, eu já vinha com esse papo."

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A reflexão que fica é de que tudo vale a pena e que a palavra "desistência" não faz parte de seu vocabulário.

Foto: Rodolfo Magalhães

"Quem diria que eu ia estar no 'Queen of The Universe', né? Então, vamos ver. É, a vida é uma surpresa. Cada dia é um susto. Vale a pena continuar botando fé, sabe? Porque uma hora a gente consegue fazer rolar, a gente consegue arrasar com que o que é nosso. Então, tem que segurar o osso, agarrar o que é teu mesmo. Porque acontece, o universo ele vê, ele vê. Eu já pensei em desistir muitas vezes, muitas vezes eu já me senti assim ó: 'beleza, eu sou um perdedor, deu tudo errado. Vamos seguir, vamos fazer outra coisa'. Mas eu sempre tinha aquela aquele empurrãozinho de família, de amigos, dos fãs que eu agradeço muito até hoje, que nunca me deixaram desistir de entender que sim, existe ainda a possibilidade, mesmo sendo artista, sendo brasileiro, sendo LGBTQIA+, com todas as barreiras e limitações. Vale a pena estar no corre e fazer pela gente", conclui a futura campeã de 'Queen of The Universe', se depender da grande torcida brasileira.

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