11 coisas simples que ainda são privilégios de pessoas cis-hétero

"Mas essa reserva é pra casal mesmo?"

No Dia do Orgulho LGBTQIA+, preparamos uma lista com diversas coisas simples que ainda são privilégios de pessoas cis-hétero.

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1. Ter o seu nome respeitado.

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Quem está por fora tem a ilusão de que a luta LGBTQIA+ avança a passos largos, mas sabemos que isso não é verdade quando lembramos que travestis e pessoas trans ainda hoje sequer têm seus nomes respeitados. Para você ter uma ideia, só há pouco mais de um mês o estado do Ceará passou a permitir que trans e travestis pudessem registrar boletins de ocorrência usando seus nomes sociais.

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2. Assim como sua identidade de gênero.

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A ideia de que os gêneros se resumem a "mulher" e "homem" apaga todo um espectro de pessoas que não se veem representadas pela binariedade. Para além de utilizar pronomes corretos, respeitar a identidade de gênero de uma pessoa também é entender quem ela é. Não dá pra definir que todo mundo seja ou isso ou aquilo, e muito menos dizer onde uma pessoa deve se encaixar. Ainda hoje, por exemplo, é muito comum que fichas e formulários tragam apenas as opções binárias de gênero. Esse é o tipo de coisa que parece pequena, mas que acaba contribuindo para o apagamento de muita gente.

3. Andar de mãos dadas.

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Você provavelmente conhece casais LGBTQIA+ que estão juntos há anos, que são super bem resolvidos e confortáveis em ser quem eles são, mas que ainda assim nunca saem de mãos dadas na rua. O nome disso, na grande maioria das vezes, é medo. Não importa se é em alguma cidade pequena do interior ou em uma capital, o receio de segurar a mão de outra pessoa em público está sempre ali.

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4. Trocar afeto em público.

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A LGBTQIA+fobia agride, machuca e mata. Nos últimos anos tem sido cada vez mais comum ver notícias sobre casais LGBTQIA+ que foram atacados simplesmente por estarem trocando afeto em público. O conservadorismo é responsável por demonizar qualquer relação que não seja a heterossexual, mas isso não significa que esta seja uma luta apenas da comunidade LGBTQIA+. Reconhecer privilégios é o primeiro passo para que pessoas cis-hétero comecem a fazer parte da luta.

5. Participar de esportes e integrar times e seleções.

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É fato que o meio dos esportes sempre foi LGBTQIA+fóbico. Há anos lutamos para que os estádios, as torcidas e até as próprias equipes e seleções respeitem e incluam pessoas LGBTQIA+. É verdade que cada vez mais times de futebol, por exemplo, fazem coro contra a homofobia. Porém, muitos deles ainda preferem que seus jogadores não-héteros simplesmente se mantenham quietos. Isso não representa nenhum avanço dentro da questão e apenas reforça um preconceito já existente, só que de forma velada. Sabia que, até a semana passada, a Uefa simplesmente proibia que anunciantes usassem as cores do arco-íris em qualquer publicidade dentro dos estádios onde acontecem jogos da Eurocopa? Pois é, a luta nessa área está apenas começando.

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6. Usar o banheiro.

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Ainda hoje, travestis e pessoas trans são impedidas de usar banheiros de acordo com os gêneros com o qual se identificam. Isso acontece em escolas, restaurantes, shoppings e em qualquer outro lugar público que você possa imaginar. Nestes casos, o preconceito tenta ser justificado com uma preocupação do tipo "mas e se um homem fingir que é mulher só pra entrar no banheiro feminino?". Bom, primeiro de tudo, essa é uma preocupação burra. As plaquinhas de "masculino" ou "feminino" coladas nas portas nunca impediram ninguém de entrar em lugar nenhum. Além disso, quem não quiser dividir o banheiro com outra pessoa só por causa da sua identidade de gênero, recomendamos que segure até chegar em casa.

Legenda da imagem: "todos os gêneros"

7. Fazer reservas pra casal sem ter seu relacionamento questionado.

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Se você vive um relacionamento LGBTQIA+, você e seu mozão provavelmente já receberam olhares estranhos da pessoa da recepção de um hotel quando ela viu que a reserva de vocês era de casal. Na cabeça heteronormativa, uma "reserva para casal" é sempre tida como uma "reserva para casal heterossexual". Às vezes, chegam até a confirmar com uma certa incredulidade: "mas essa reserva é pra casal mesmo?". Sim, e a gente quer uma cama bem confortável.

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8. Ter alguém com quem conversar ou, simplesmente, ter amigos.

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A solidão é grande companheira de muita gente que faz parte da comunidade LGBTQIA+, e isso não é nada bom. Em qualquer fase da vida, essas pessoas têm dificuldade de formar e fortalecer laços sociais. A causa disso é o famoso preconceito e o medo da rejeição. É por esse motivo que cuidar da saúde mental da população LGBTQIA+ é algo tão importante. Desde cedo, precisamos de recursos para conseguir lidar com todas essas questões que são agravadas pela LGBTQIA+fobia. Ter uma rede de apoio é extremamente necessário mas, infelizmente, ainda é um privilégio para poucos.

9. Se ver representado em filmes, novelas e programas de TV.

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É muito engraçado (pra não dizer revoltante) ver pessoas preconceituosas falando que "a TV de hoje em dia fica forçando a homossexualidade na cabeça das pessoas". Em 70 anos de televisão no Brasil, quantos programas falam abertamente e com responsabilidade sobre crianças LGBTQIA+? Quantas novelas trouxeram protagonistas trans? Está mais do que claro que nenhuma sexualidade - além da hétero - que é forçada pra cima do público. Porém, mesmo com todo esse esforço, pessoas LGBTQIA+ continuam existindo.

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10. Alugar uma casa com a pessoa que você ama.

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Muitos casais LGBTQIA+ encontram dificuldades quando resolvem alugar uma casa para morar, e o motivo é aquele que você já imagina. Proprietários se sentem no direito de recusar inquilinos que não sejam cis-héteros, mesmo que apresentem todas as condições para pagar tudo em dia. "Ah, mas a pessoa tem o direito de alugar a casa dela pra quem ela quiser". Sim, é verdade! Mas isso não pode ser usado para justificar um preconceito. São nessas situações em que a "opinião" sobre a vida alheia se transforma em uma ferramenta de exclusão, usada para higienizar os bairros e vizinhanças das ~famílias tradicionais~.

11. Não ter sentido medo nas eleições de 2018.

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Por mais que façam parte da oposição e repudiem as atitudes de Bolsonaro, pessoas cis-hétero ou que não pertencem a nenhum grupo vulnerável nunca vão entender a ansiedade que tomou conta da comunidade LGBTQIA+ naquela época. As eleições passadas mexeram com os medos e com as inseguranças de todas as pessoas LGBTQIA+, principalmente daquelas que são mais invisibilizadas. Uma figura retrógrada e conservadora não precisa necessariamente estar no poder para desestruturar grupos sociais, e é importante que todo mundo se lembre disso em 2022.

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