O povo Munduruku está sendo alvo de ataques de garimpeiros no Pará

Criminosos incendiaram a casa da líder Maria Leusa Kaba e destruíram plantações da Aldeia Fazenda Tapajós.

Tudo aconteceu durante uma operação de agentes federais que tinha o objetivo de expulsar invasores da Aldeia Fazenda Tapajós, em Jacareacanga. Em nota divulgada à imprensa, o Ministério Público Federal afirmou que os garimpeiros incendiaram e destruíram diversas casas da aldeia, incluindo a da líder Maria Leusa Kaba Munduruku. O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) relatou que plantações também foram queimadas.

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Reprodução

Imagem mostra casa de Maria Leusa em chamas, onde também morava sua mãe, a Cacica Isaura.

De acordo com os policiais federais que operam na região, os garimpeiros estavam em um grupo com cerca de 100 integrantes e tentaram invadir a base da Polícia Federal munidos com paus e pedras. Eles também tentaram incendiar viaturas, e a polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo. Apesar da violência, ninguém foi preso.

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Em um pedido de ajuda gravado em mensagem de áudio, é possível ouvir Maria Leusa Munduruku dizendo "venham, por favor! Está uma confusão, vão queimar minha casa! Adonias está dando tiro no cais, em todo lugar. Eles estão dando tiro. Por favor, me ajuda."

O Adonias mencionado no áudio é Adonias Kabas Munduruku, que é apontado como um dos responsáveis pelo ataque. Em uma entrevista concedida à Agência Pública, Maria Leusa afirmou que os indígenas que defendem o garimpo são "mandados pelos brancos" e que "eles se perderam".

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Segundo o CIMI, não há notícias de feridos pelos incêndios, mas existem relatos apontando que os garimpeiros planejam ataques a outras lideranças que são contra a mineração ilegal nas terras Munduruku. Além da destruição de aldeias, o garimpo ilegal também é responsável por contaminar as águas dos rios com mercúrio e por levar doenças aos povos indígenas.

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