A ala bolsonarista está triste com o avanço do debate sobre cannabis medicinal na Câmara dos Deputados

Nesta terça (11), aliados de Bolsonaro saíram derrotados de uma votação.

Folhas de maconha sob a luz roxa
Folhas de maconha sob a luz roxa

Seth McConnell/The Denver Post via Getty Images

Nesta terça (11), a comissão especial da Câmara dos Deputados debateu o projeto de lei 399/15, que viabiliza a comercialização de medicamentos formalizados a partir da cannabis. Quem não gostou muito foi a ala conservadora da casa, que saiu derrotada da votação que analisou uma nova proposta que permite adicionar também ao PL o plantio, a cultura e a colheita da cannabis desde que regulada e controlada. 

Essa proposta foi apresentada no dia 20 de abril pelo relator e deputado Luciano Ducci (PSB-PR), médico defensor da planta para o uso medicinal. Deputados aliados de Jair Bolsonaro (sem partido), como Osmar Terra (MDB), votaram a favor da retirada da pauta.

Publicidade

Reprodução

A votação terminou com 19 votos contra e 12 votos a favor da retirada da pauta. No dia 17 de maio haverá uma nova discussão na Câmara.

Publicidade

Reprodução

O comunicador Igor Seco, 27, que conseguiu na justiça o direito de cultivar cannabis em casa.

"O PL 399/15 representa um avanço. O Brasil é um dos países mais atrasados do mundo em relação à cannabis medicinal", conta ao BuzzFeed o comunicador Igor Seco, 27. Ele é co-fundador do Radiohemp.com, selo de conteúdo digital voltado para a cultura canábica e apresentador do THShow Podcast.

Publicidade

Meses depois de nascer, Igor foi diagnosticado com a Síndrome de Marfan, uma doença rara que afeta principalmente o sistema cardiovascular, o sistema ósseo e a visão. "Por conta disso, enfrentei algumas complicações ao longo da vida. As mais graves foram o desenvolvimento de uma deformidade no peito chamada 'pectus excavatum' e uma escoliose muito acentuada."

Rocky89/Getty Images

Publicidade

Esse problema levou Igor a enfrentar dores na coluna desde os 9 anos de idade e também fortes crises de cefaleia. Desde então, ele passou a fazer visitas regulares a hospitais e diz ter tomado todo tipo de medicamento sem resultado satisfatório. Em 2019, quando foi morar em Portugal, conheceu o tratamento com o óleo de cannabis. "Foi a única substância capaz de cessar completamente minhas crises."

De volta ao Brasil, logo no início da pandemia, ele buscou o tratamento com o óleo e só encontrou amparo por meio da associação Santa Cannabis Medicinal, que o ajudou a conseguir o remédio de uma forma mais acessível. Foi também a associação que prestou auxílio jurídico para que Igor conseguisse o direito de cultivar a planta para que ele mesmo produzisse o extrato. "Faz aproximadamente um ano que uso um óleo integral com CBD e THC e não lembro qual foi a última vez que senti dores ósseas ou tive uma crise de cefaleia que me deixasse de cama por horas, como costumava acontecer."

Publicidade

Igor relata que o mercado brasileiro depende quase que exclusivamente da importação do extrato da planta para a produção dos remédios e os direitos de fabricação estão nas mãos de algumas poucas empresas, tornando o produto algo extremamente caro e pouco acessível pra população mais pobre. "Cultivar a cannabis no Brasil e deixar que as associações também tenham esse direito é o que de fato vai garantir qualidade de vida aos mais necessitados. Fazendo um levantamento rápido, são aproximadamente 80 milhões de pessoas que podem ser beneficiadas com esse remédio por aqui", pontua.

Publicidade

Para ele, o Brasil ainda patina quando o assunto é cannabis, "Enquanto todos os nossos vizinhos já possuem legislações bem definidas garantindo o acesso à saúde da sua população, como acontece no Uruguai, Argentina, Paraguai, Colômbia".

Igor menciona que recentemente foi fundada a FACT - Federação das Associações de Cannabis Terapêutica, com mais de 30 ONGS espalhadas pelo Brasil que se reuniram sob o mesmo nome pra adquirir algum poder político. "Como os representantes dessas associações costumam dizer, são eles quem estão na ponta da linha puxando todo o conhecimento sobre a medicina canabinoide disponível dentro do país", finaliza.

Publicidade

Veja também