Amapá ainda tenta se recuperar depois de mais de um mês do apagão

População passou 22 dias no escuro e agora precisa lidar com o trauma.

O dia 3 de novembro marcou a história do estado do Amapá. Naquela noite, uma subestação de energia elétrica da cidade de Macapá pegou fogo, provocando um blecaute em 13 dos 16 municípios.

Foram 22 dias de terror para a população. Depois de mais de um mês, listamos aqui alguns fatos que você precisa saber.

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Uma fake news dizia que o apagão foi provocado pelo MST

Agência Lupa / Via piaui.folha.uol.com.br

Um vídeo que circulou na internet mostrava pessoas derrubando uma estação de energia e dizia que eram integrantes do MST em Macapá. A Agência Lupa fez o fact-checking e descobriu que esse material era de 2017 e mostrava, na verdade, ribeirinhos da cidade de Correntina, na Bahia. "A principal queixa dos ribeirinhos era quanto à diminuição do nível da água no leito do rio Arrojado para atender o sistema de irrigação da fazenda – o que afetaria a lavoura dos pequenos agricultores", informou o texto da Lupa.

As eleições foram adiadas para dezembro

Daniel Ramalho / Getty Images

Em função da crise, a Justiça adiou as eleições para prefeito e vereador nos municípios do estado para o dia 6 de dezembro. Na capital, Macapá, haverá segundo turno entre os candidatos a prefeito Dr. Furlan (Cidadania) e Josiel (DEM) no dia 20 de dezembro.

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O apagão virou um trauma para algumas pessoas

Bruna Obadowiski/Repórter Brasil / Via reporterbrasil.org.br

Em entrevista ao BuzzFeed, a jornalista Francy Rodrigues, de Macapá, mencionou as consequências psicológicas deixadas pelos dias sem luz elétrica: "Recentemente, faltou energia por 20 minutos e você já via as pessoas desesperadas. Dá pra perceber que tem trauma psicológico em relação a isso."

Francy relembra que, lá pelo quarto dia de apagão, não havia mais água para comprar no comércio. "Eu fiquei dois dias tomando só refrigerante quente. E, quando começou o racionamento, eu tive um desmaio por desidratação", contou. Daí o sentimento de medo por parte da população. Ninguém quer passar por isso novamente.

Para evitar um novo apagão, o estado recebeu um gerador de 100 toneladas como backup

Reprodução / Via g1.globo.com

Não ter um transformador reserva foi um dos motivos que provocou o apagão. No dia 15 de dezembro, a cidade de Macapá recebeu um equipamento para cumprir esse papel, mas até a publicação deste texto não havia data para a instalação do mesmo.

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A crise de energia fez o número de internações por Covid aumentar

Em novembro, mês do apagão, o Amapá teve um aumento de 46% das internações por coronavírus na rede pública. Segundo o boletim publicado pelo governo do estado, até o dia 17 de dezembro foram 64.549 casos confirmados e 864 mortes.

Durante o apagão, oito pessoas morreram

Bruna Obadowiski/Repórter Brasil / Via reporterbrasil.org.br

Uma reportagem da ONG Repórter Brasil denunciou que oito mortes direta ou indiretamente aconteceram durante o apagão. Caso da manicure Danielle Silva, de 23 anos, que não conseguia dormir por causa do calor e resolveu ir de moto até a casa de um parente que tinha energia elétrica e ventiladores funcionando. A jovem, que estava se formando em física, teve sua moto atingida na estrada e morreu na hora.

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E, apesar da falta de energia, ainda tem gente recebendo conta de luz alta

"As contas de energia estão vindo com valores exorbitantes, apesar de as pessoas terem passando 10 dias no escuro completo e mais de 10 dias com a energia revezada", diz o amapaense Herverton Norberto.

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