7 histórias e momentos LGBTQIAP+ que foram censurados ou cortados de filmes, séries e animações

"Nunca pensei que teria que lutar por um casamento gay entre ratos, mas aqui estamos."

Feliz Orgulho! O mundo está em chamas :)

Nickelodeon / Via giphy.com

Sabemos que a LGBTfobia está, infelizmente, presente até mesmo nas artes, espaço que deveria ser seguro, dedicado à autoexpressão. A American Library Association informou que metade dos Dez Livros Mais Desafiados de 2021 foram criticados por conter "conteúdo LGBTQIA+". E em Hollywood, funcionários da Pixar criticaram a Disney por cortar "quase todos os momentos de afeto abertamente gay" de seus filmes.

Publicidade

A indústria pop não consegue sozinha apoiar a juventude LGBTQIA+.

Esse trabalho cabe a nós, os membros da sociedade, mas o que vemos em filmes e séries causa sim um grande impacto e, para um jovem que questiona sua identidade e não sabe com quem falar sobre isso, um personagem ou uma história pode ser sua primeira identificação com a cultura queer. Infelizmente, esses mesmos personagens ou enredos têm sido alvo de cortes e censura, por medo dos estúdios de irritar pais, anunciantes e – o mais assustador de tudo – pessoas com tempo de sobra para fazer comentários maldosos na internet.

Aqui estão sete exemplos de vezes em que canais, estúdios e outros meios ~poderosos~ da indústria censuraram ou alteraram histórias LGBTQIA+.

Publicidade

1. Em março de 2022, a Variety republicou uma carta dos "funcionários LGBTQIA+ da Pixar e seus aliados" escrita em resposta ao pronunciamento do CEO da Disney, Bob Chapek, sobre o projeto de lei "Don't Say Gay" ("Não Fale Gay", traduzindo) na Flórida. Em sua declaração, Chapek escreveu: "E como essa luta é muito maior do que qualquer projeto de lei em qualquer estado, acredito que a melhor maneira da nossa empresa trazer mudanças duradouras é através do conteúdo inspirador que produzimos, da cultura acolhedora que criamos, e as diversas organizações comunitárias que apoiamos." Mas, de acordo com os funcionários da Pixar, a Disney tem atuado como antagonista em relação ao conteúdo queer.

Handout / Getty Images

Publicidade

Caso você não conheça o projeto de lei "Don't Say Gay": De acordo com a NPR, o projeto foi sancionado pelo governador da Flórida, Ron DeSantis, em março. Ele impediu os professores de escolas públicas de falar sobre orientação sexual ou identidade de gênero nas salas de aula, ao mesmo tempo em que exigia que os funcionários da escola informassem os pais sobre "qualquer serviço de saúde ou de apoio oferecido a seus filhos na escola." O The Trevor Project comentou que poderia "efetivamente exigir que os professores 'assumissem' os estudantes LGBTQ para seus responsáveis legais sem o consentimento dos próprios estudantes."

A Disney foi alvo de críticas durante o desenvolvimento do projeto, tanto por atrasar uma condenação pública, quanto por doar dinheiro aos apoiadores do projeto. Quando Chapek disse que a Disney doaria para organizações de direitos LGBTQ+ como a Human Rights Campaign, a presidente interina da HRC, Joni Madison, respondeu com uma declaração recusando a doação até que a Disney demonstrasse profundidade em seu compromisso com a igualdade.

Publicidade

Kris Connor / Getty Images

Parte da declaração dizia:

“A Campanha de Direitos Humanos não aceitará esse dinheiro da Disney até que os vejamos construindo seu compromisso público e trabalhando com defensores LGBTQ+ para garantir que propostas perigosas, como o projeto de lei 'Don't Say Gay or Trans' da Flórida, não se tornem leis. A Disney assumiu uma postura lamentável ao optar por ficar em silêncio em meio a ataques políticos contra famílias LGBTQ+ na Flórida - incluindo famílias que trabalham para a Disney".

Publicidade

Em resposta à declaração de Chapek, o CEO da Disney, os funcionários da Pixar escreveram:

"Nós da Pixar testemunhamos pessoalmente belas histórias, cheias de personagens diversificados, sendo alteradas após as críticas corporativas da Disney e reduzidas a migalhas. Quase todos os momentos de afeto gay são cortados por ordem da Disney, independentemente de protestos tanto das equipes criativas quanto da liderança executiva da Pixar."

Smith Collection / Getty Images

Publicidade

2. Em entrevista ao IGN, Oscar Isaac disse que pediu para que o relacionamento entre seu personagem de "Star Wars", Poe Dameron, e o ex-stormtrooper Finn (John Boyega), se transformasse em um romance, mas disse que os "responsáveis da Disney" não gostaram da ideia.

Walt Disney Co. / Courtesy Everett Collection

Publicidade

Walt Disney Studios Motion Pictures / Lucasfilm / courtesy Everett Collection

Isaac disse: "Acho que poderia ter sido uma história de amor muito interessante e com visão de futuro - aliás, nem mesmo como visão de futuro, e sim como pensamento atual, algo que ainda não havia sido explorado, particularmente na dinâmica entre esses dois homens que poderiam ter se apaixonado um pelo outro durante uma guerra."

Ele continuou: "Eu até tentei pressionar um pouco nessa direção, mas os lordes da Disney não estavam preparados para isso".

Publicidade

Walt Disney Studios Motion Pictures / Lucasfilm / courtesy Everett Collection

3. Em uma entrevista de 2017 com Mary Sue, o criador de "Gravity Falls", Alex Hirsch, falou sobre sua briga com os censuradores da Disney para incluir uma cena de duas mulheres mais velhas se apaixonando e se beijando no episódio "O Deus do Amor".

Publicidade

Disney Channel / Courtesy Everett Collection

Quando o artista de storyboard incluiu as duas mulheres em uma cena, Hirsch disse que sabia que o momento "doce e casual" iria "se transformar em uma grande briga com a Disney".

Quando ele deixou a cena no episódio, a Disney retornou com uma nota: "A cena das duas velhinhas se beijando no restaurante não é apropriada para o nosso público. Por favor, revise".

Publicidade

Quando Hirsch perguntou a razão, ele disse que os censuradores não souberam o que dizer. Hirsch explicou: "Eles estavam com medo de soar intolerantes - mas não acho que eles eram intolerantes, acho que eram covardes".

Disney Channel / courtesy Everett Collection

Publicidade

Ele também disse que, apesar do status poderoso da Disney, eles tinham medo de receber resistência de espectadores homofóbicos.

Hirsch queria manter o momento de qualquer forma, porque "pequenas coisas como essa podem significar muito para as pessoas" e "qualquer um que ficasse chateado com a cena merecia ficar chateado". Depois de seis reuniões com os censuradores, ficou claro que eles não iriam ceder, e o momento foi cortado.

No entanto, quando Hirsch decidiu que dois personagens do mesmo sexo iriam declarar o amor um pelo outro no final da série, ele não recebeu "sequer uma nota".

Ele brincou: "Acho que os censuradores finalmente tiveram menos medo das reclamações dos pais do que de ter que lidar com o quão irritante eu sou".

Publicidade

Disney Channel / courtesy Everett Collection

4. De acordo com um tweet do criador de "Criminal Minds", Jeff Davis, queria que o Dr. Spencer Reid fosse bissexual, mas acabou não fazendo isso depois de ser pressionado.

Publicidade

CBS / Courtesy Everett Collection

Davis escreveu: "Fato divertido para os fãs de 'Criminal Minds'. Eu originalmente queria que o Reid fosse bi. Isso foi cortado no 4º episódio com seu romance com JJ".

JJ é amiga de Reid e também agente do FBI.

Publicidade

CBS / Courtesy Everett Collection

Em outro tweet, Davis deixou claro que sabe o que significa ser bissexual, e que isso não impede um homem de ficar com uma mulher.

Publicidade

CBS / courtesy Everett Collection

5. James Gunn, que escreveu o roteiro do live-action de "Scooby-Doo" e "Scooby-Doo 2: Monstros à Solta", respondeu a um fã que pedia para a Velma ser lésbica. Ele escreveu em seu Twitter: "Eu tentei!"

Publicidade

Warner Bros / Courtesy Everett Collection

No mesmo tweet, ele explicou:

"Em 2001, Velma era obviamente gay no meu roteiro inicial. Mas o estúdio continuou diluindo e diluindo, deixando bem ambíguo (a versão filmada), e depois não deixaram nada (a versão lançada) e então fizeram ela ter um namorado (no segundo filme)."

Publicidade

Warner Bros / Courtesy Everett Collection

6. Em entrevista ao Insider, Sean Jara, o criador de "Mysticons", série animada de super-heróis da Nickelodeon, disse que um beijo entre duas personagens femininas, Zarya Moonwolf e Kitty Boon, foi cortado de um episódio devido a preocupações de um parceiro de produção.

Publicidade

Nickelodeon / Via youtube.com

Jara disse que quando ele enviou o roteiro para aprovação, o estúdio, o canal e outros parceiros de produção "Não se opuseram. Não recebemos notas sobre isso".

Por mais que a Nickelodeon tenha aprovado a cena, um parceiro não identificado não liberou. Jara relembrou: "Não teve como convencê-los a mudar de ideia. Nos disseram que tínhamos que tirar o beijo". Ele acrescentou: "Nós quase tivemos que tirar toda a história de amor, mas eu lutei e disse "que era tarde demais para isso".

Publicidade

Nickelodeon / Via youtube.com

Em uma série de tweets de 2018, Jara confirmou que meso que o beijo tenha sido cortado, isso não significava que as personagens não estavam apaixonadas.

Ele escreveu: "Dito isso, mesmo tendo sido forçados a cortar o beijo, conseguimos manter a integridade da história de amor intacta (no episódio e em toda a série). Pena que não conseguimos fazer o beijo acontecer. Expressões físicas de amor entre personagens LGBTQ na TV ajudam a mostrar aos jovens que é isso ABSOLUTAMENTE NORMAL!"

Publicidade

Nickelodeon / Via youtube.com

O estúdio, Nelvana, disse ao Insider que eles "lamentavelmente" confirmavam o relato de Jara.

"Reconhecemos que a televisão aberta há muito tem sido confinada por parâmetros conservadores para contadores de histórias e é nossa responsabilidade, como produtores e emissoras, promover um ecossistema inclusivo para contar histórias criativas com diversidade e inclusão", dizia o relato deles.

Publicidade

7. E por último: "Arthur" comemorou a estreia de sua 22ª temporada com um casamento entre Sr. Ratburn e seu parceiro, Patrick. No entanto, de acordo com o Vulture, a Televisão Pública do Alabama não transmitiu o episódio.

PBS Kids / Via youtube.com

Publicidade

Um pai desapontado com a transmissão de uma reprise em vez do novo episódio, "Sr. Ratburn e Alguém Especial", disse ao Al.com: "Tem muita coisa acontecendo para não me posicionar, mesmo que seja 'Arthur'. nunca pensei que iria lutar por um casamento gay de ratos, mas aqui estamos".

O episódio completo está disponível para os telespectadores Americanos no canal do Youtube da PBS Kids.

PBS Kids / Via youtube.com

Publicidade

Não se esqueça de acompanhar mais posts LGBTQIAP+ no BuzzFeed Brasil!

buzzfeed pride graphic
buzzfeed pride graphic

Kevin Valente / BuzzFeed

Veja também