5 vezes em que escolas de samba fizeram política na avenida

Provando que Carnavais são políticos.

Foto: Sebastião Marinho / Agência o Globo (07-02-1989) / Via oglobo.globo.com

O desfile da Beija-Flor, em 1989.

1. Quando a Mangueira chegou "com versos que o livro apagou".

Rodrigo Gorosito/G1 / Via g1.globo.com

"Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento / Tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado / Mulheres, tamoios, mulatos / Eu quero um país que não está no retrato." Foi com o samba-enredo "História pra ninar gente grande" que a verde e rosa atravessou a avenida em 2019, retratando um Brasil que teve seus índios dizimados e que foi palco para a escravidão. A letra também citava Marielle Franco, Leci Brandão e Jamelão.

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2. Em 2006, na única vez em que uma escola de samba falou exclusivamente sobre a temática LGBTI+.

A União do Parque Curicica levou o assunto para a avenida quando a sigla ainda se resumia a GLS (Gays, lésbicas e simpatizantes). O samba-enredo cantava: "Vou embarcar nessa viagem / Com fascinantes personagens / Vivendo a emoção do mundo gay / E com direito a casamento e adoção / Ô da gravata, deixa de graça / Assuma logo a sua opção".

3. Quando a São Clemente falou sobre fake news, trambiques e mamatas.

Ricardo Moraes / Reuters Leia mais em: veja.abril.com.br / Via veja.abril.com.br

"Brasil, compartilhou, viralizou, nem viu / E o país inteiro assim sambou, caiu na fake news", cantou a São Clemente em 2020. O samba-enredo "O conto do vigário" trazia a assinatura do humorista Marcelo Adnet (que desfilou como Jair Bolsonaro) e criticou as mamatas e os trambiques típicos da política nacional.

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4. Em 1989, quando a Justiça proibiu que um carro alegórico da Beija-Flor desfilasse.

Um carro alegórico coberto por uma lona preta com a faixa "Mesmo proibido, olhai por nós".
Um carro alegórico coberto por uma lona preta com a faixa "Mesmo proibido, olhai por nós".

Reprodução / Via pedromigao.com.br

Naquele ano a escola apresentou o enredo "Ratos e urubus, larguem minha fantasia", abordando a realidade das pessoas em situação de rua. A ideia era levar um Cristo Redentor mendigo para a avenida, mas a Arquidiocese do Rio de Janeiro foi à Justiça e conseguiu uma liminar proibindo a alegoria. Foi aí que o carnavalesco Joãozinho Trinta e sua equipe, então, tiveram uma ideia: cobrir o Cristo com uma lona preta e colocar sobre ele uma faixa com os dizeres: "Mesmo proibido, olhai por nós". A escola ficou em segundo lugar naquele ano.

5. Quando a Império Serrano celebrou o fim da ditadura.

A ditadura militar no Brasil foi até março de 1985. No ano seguinte, a Império Serrano, então, celebrou o fim dos anos de chumbo com um samba-enredo que cantava: "Me dá, me dá / Me dá o que é meu / Foram vinte anos que alguém comeu". Apesar de a ditadura ter acabado em 1985, o serviço de Censura de Diversões Públicas funcionou até 1988, fazendo com que muitos profissionais do Carnaval temessem represálias em suas composições.

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