5 tipos de resoluções-cilada para deixar para trás em 2019

É uma cilada, Bino!

O fim de 2018 está chegando e, com isso, muita gente está definindo suas resoluções para 2019.

Compreensível: tem algo melhor do que a virada do ano para inspirar o sentimento de renovação? Um novo ciclo está começando!

No entanto, é também neste momento que mais corremos o risco de cair nas famosas resoluções-cilada.

Rede Globo / Via giphy.com

Ou seja, resoluções que parecem ser boas, mas que (surpresa!) têm aquele pressuposto equivocado que faz com que elas sejam a mais pura cilada.

(E que, no final, só nos deixam tristes.)

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Vamos a elas?

1. Perder XYZ quilos.

Uma resolução numérica de perda de peso, além de estar quase fadada ao fracasso, não é a mesma coisa que ser saudável. O desejo de "perda de peso" geralmente está ancorado no nosso preconceito frente às pessoas gordas, vistas socialmente (até pela classe médica) como irresponsáveis, preguiçosas e desleixadas.

Ainda que existam fatores de risco associados ao sobrepeso e à obesidade (assim como à magreza excessiva!), se uma pessoa gorda tem hábitos saudáveis (como alimentação balanceada e prática de exercícios físicos) e está com seus exames clínicos (triglicérides, colesterol etc.) normais, pouco importa seu tamanho.

Se quiser saber mais sobre o tema, vale a pena conferir os posts O guia do humano imperfeito para a aceitação corporal e A obsessão com o o corpo "perfeito" está nos impedindo de viver.

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2. Se obrigar a ir todos os dias à academia.

A prática de exercícios físicos é fundamental para uma vida saudável, mas isso não significa ir todos os dias à academia (afinal, práticas intensas também podem fazer mal ao corpo) ou mesmo ir à academia.

A Organização Mundial de Saúde recomenda 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada para adultos, e você pode chegar a esse número de várias formas, seja fazendo academia (se você curte isso), até andando de bicicleta, participando de esportes coletivos, fazendo aulas de dança ou natação, caminhando etc.

3. Arrumar um(a) namorado(a).

O problema desta resolução é o seu pressuposto, e vale a pena dar um passo a trás e refletir: para que você quer um(a) namorado(a)? Se a resposta é: para ser feliz, trago más notícias, pois nenhum relacionamento amoroso por si só tem a capacidade de trazer felicidade para alguém.

“Ser feliz tem muito mais a ver com realizações pessoais e bem-estar do que com o amor a dois”, explicou a psicóloga Mara Lúcia Madureira ao UOL.

Isso não quer dizer que relacionamentos amorosos não tragam bem-estar, mas, sim, que o sentimento de afeto também pode nascer de outros tipos de convívio – como os familiares ou de amizade.

Como diria RuPaul, antes de amar outra pessoa, precisamos aprender a amar nós mesmos.

Caso se interesse pelo tema, leia os posts 17 conselhos para quem estiver sofrendo de baixa autoestima e 13 formas inteligentes de ser mais feliz segundo especialistas em saúde mental.

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4. Fazer necessariamente algo novo – como um curso, ler pelo menos um livro por mês etc.

A verdade é que provavelmente você não está com tempo sobrando para mais nada e adicionar mais uma atividade à sua rotina só vai te deixar mais angustiado(a). Em vez disso, pense na resolução contrária: deixar de fazer uma das mil coisas que está fazendo hoje e dar mais valor ao ócio. Ou, se realmente quiser começar algo novo, deixar para trás pelo menos uma das coisas que já está fazendo.

Se quiser saber mais, este texto aqui em inglês fala sobre o poder da desistência. Em linhas gerais, a mensagem é a seguinte: para conquistarmos alguma coisa, precisamos também sacrificar outras, pois nosso dia só tem 24 horas e todos temos limites físicos e mentais que devem ser respeitados.

5. Só procurar experiências que te deixem feliz e confortável.

A comediante e escritora Emily Winter resolveu no ano passado fazer a resolução contrária: conseguir 100 “nãos” na área profissional. Seu objetivo era criar tanto um calo para a rejeição quanto se arriscar mais – afinal, você já parou para pensar em quantas coisas deixamos de fazer por medo de não sermos capazes?

Emily começou a tentar coisas que achava que só pessoas mais inteligentes, engraçadas e legais que ela tinham chance. E, claro, recebeu muitas negativas, mas (surpresa!) às vezes conquistava oportunidades que antes pensava que nunca iria conseguir.

No momento em que escreveu este texto contando sua experiência (em inglês), ela já tinha acumulado 101 “nãos” e 39 “sims” profissionais.

Sua conclusão: “Eu não me arrependo de ter me comprometido com esse projeto masoquista de rejeição. Ele me deixou constrangida, triste, cansada e autoindulgente. Mas eu também senti que estava avançando em vez de ficar parada.”

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E você? Qual resolução-cilada você quer passar longe em 2019? Conte para nós nos comentários!

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