17 coisas que nem todo adolescente LGBTI+ teve o privilégio de viver

"O que eu deixei de experimentar plenamente na minha adolescência foi uma vida social prejudicada pelo preconceito."

Perguntamos aos membros LGBTI+ da comunidade BuzzFeed Brasil quais coisas eles deixaram de vivenciar durante a adolescência por não serem cis-héteros. Reunimos as melhores respostas na lista abaixo.

Observação: as respostas podem ter sido modificadas ou editadas por questões de tamanho e para melhor compreensão. Algumas pessoas quiseram contar suas histórias de forma anônima e nós respeitamos este direito.

1. Fazer e manter amizades.

Rudzhan Nagiev / Getty Images

"Eu não saía muito com os garotos da minha turma porque eram héteros que falavam de assuntos no mínimo chatos pra mim, e às vezes bem ofensivos. Eu tinha amizades muito legais com garotas, mas não podia falar pro meu pai que ia sair só com elas. Ele já me impediu de ir em um aniversário em um barzinho porque lá só ia ter mulher e não queria que "achassem que eu era viado". O negócio era tão sério que minhas amigas começaram a se afastar achando que eu furava os rolês de última hora de propósito. Na sala eu era conhecido como o que 'nem adianta chamar porque ele não vai', e isso eu foi criando uma ansiedade muito ruim em relação a sair de casa. Felizmente hoje em dia tô melhor e tenho amizades incríveis, inclusive com as meninas da minha turma que me entenderam e no fim não me abandonaram."

Anônimo

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2. Dançar quadrilha.

Fui impedida de dançar quadrilha na festa junina com outra menina.

Anônimo

3. Sair para se divertir.

"Meu pai, quando eu era mais nova, passou na frente de um bar LGBTI+ e disse que não queria nunca me ver lá. Por anos fiquei com medo de ir para o centro de São Paulo por conta disso."

Anônimo

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4. E basicamente ter uma vida social.

Aleksei Morozov / Getty Images

"Acho que o mais chato da adolescência LGBTI+ é o preconceito velado. Ninguém gosta de admitir que é preconceituoso, e os jovens LGBTI+ muitas vezes têm pouquíssimos amigos já que ninguém quer chegar perto do 'viadinho' e da 'sapatão'. Eu só fui entender anos depois que eu não conseguia socializar com várias pessoas pois elas simplesmente não queriam estar perto de gays. Então que eu deixei de experimentar plenamente na minha adolescência foi uma vida social prejudicada pelo preconceito."

Pedro Kober

5. Ser quem você é.

"Eu nunca pude ser eu mesmo! Isso já era motivo para impossibilitar toda e qualquer atividade. Fazer amigos é uma delas."

André

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6. Ter alguém para conversar.

"Me entendi como lésbica aos 16 anos. Nunca pude falar de nenhuma garota para meus pais por medo de represálias. Foi um período muito solitário, sem apoio e dúvidas de quem eu realmente era."

Geyse Castori

7. Viver um romance.

Oixxo / Getty Images

"Eu amei muito uma garota na época da escola mas nunca tive nada com ela, nem um beijo, apesar de ser apaixonada. Quando estava perto dela, eu ficava olhando ao redor pra ver se tinha algum conhecido que poderia contar tudo pra minha família. Isso me dava crise de ansiedade. Por conta da idade, e por não ter a maturidade de entender o que aconteceu, ela se afastou mesmo gostando de mim. Demorei 2 anos pra me recuperar, tive depressão profunda por não me sentir amada por ninguém. Adolescência foi uma barra muito pesada, mas meus amigos sempre ficaram do meu lado até hoje. Não é à toa que falam que os LGBTI+ fazem suas próprias famílias."

Rafa Souza

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8. Fazer coisas imprudentes (como todo adolescente).

"Enquanto minhas amigas viviam a adolescência eu ainda me sentia uma criança. Elas saíam, ficavam com meninos, faziam coisas imprudentes, e eu só consegui viver tudo isso depois dos 19 anos."

Anônimo

9. Praticar esportes.

"No ensino médio eu detestava a aula de educação física porque os meus professores faziam aquela distinção entre esportes 'de meninos' e 'de meninas'. Eu adorava vôlei, queimada e handebol, e quando jogava eu conseguia mostrar o quanto eu era bom nesses esportes. Entretanto, constantemente eu era forçado a jogar futebol. Às vezes eu penso quantos jovens LGBTI+ poderiam ser excelentes esportistas, mas essas aulas matam o interesse pelo esporte porque forçam a jogar o que não querem."

Pedro Bertazzi

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10. Usar o banheiro.

Nadia_bormotova / Getty Images

"Francamente, nem no banheiro dava pra ir. Ainda é assim em qualquer lugar, porque só existe banheiro para dois gêneros."

Anônimo

Legenda da foto: "todos os gêneros"

11. Trocar de roupa na frente de outras pessoas.

"Me apaixonei por uma menina no ensino médio e no início do nosso envolvimento ela também gostava de mim, mas quando eu me declarei pra valer ela se afastou e uns dias depois apareceu com um menino. Ela estava abertamente junto com ele, e me disse que assim era mais fácil e que daquela forma as pessoas parariam de questionar a sexualidade dela. Eu sofri pra caramba e não tive a opção de esconder a minha sexualidade, porque algumas pessoas que eu considerava amigas espalharam para a escola toda eu gostava de meninas mesmo eu não estando pronta para sair completamente do armário. Tudo isso levou a uma situação bem humilhante, as meninas da minha sala falavam que só trocariam de roupa na educação física se eu não estivesse no banheiro e o professor teve que me tirar de lá."

Mariana Oliveira

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12. Dançar.

Irinabogomolova / Getty Images

"Uma coisa que marcou foi quando estava na quarta série e as meninas iam dançar e os meninos jogar bola. Eu até pedi pra professora me deixar dançar, mas ela disse que eu não podia. A única professora incrível era a de artes. ❤️ Por ser 'diferente', sempre me saía bem nas aulas dela. Ela dizia que eu tinha uma sensibilidade pra arte e que não era pra eu nunca ter medo de nada e nunca perder essa sensibilidade que tenho."

Gustavo Luziano

13. Se sentir à vontade consigo mesmo.

"Eu tinha que ficar me monitorando o tempo todo pra não transparecer ser gay e não sofrer bullying."

Maurício Scain

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14. Ter uma rede de apoio.

Nadia_bormotova / Getty Images

"Deixei de ter amizades intensas. Todo mundo tinha uma melhor amiga e eu era sozinha... Por não entender ou aceitar minha bissexualidade, quando eu sentia o menor sinal de atração por uma amiga, eu me afastava totalmente. Hoje ainda tenho muita dificuldade em manter contato, cuidar de uma amizade e fazer ela durar, principalmente com mulheres."

Aline Noêmia

15. Aproveitar as viagens da escola.

"Eu me lembro claramente dos passeios ao Playcenter. A molecada ia pra beijar geral mesmo! Todo mundo voltava contando quantos beijou ou agarradinho com o crush no ônibus. Isso nunca foi a minha realidade por motivos óbvios. Meu primeiro beijo no colégio foi praticamente forçado pra afirmar a minha sexualidade, e claro que foi horrível!"

Josiel Mobuto

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16. Trocar afeto em público.

Alona Savchuk / Getty Images

"Eu nunca tive o prazer, a liberdade de namorar numa praça pública por medo de repressões, de insultos e de agressões. Hoje até pode parecer bobagem, mas quando se é um adolescente com todo aquele lance dos hormônios e das emoções, isso se amplificou e se tornou um peso para mim. Entretanto, isso serviu como uma espécie de constatação do quanto essa sociedade é heteronormativa e do quanto ela precisa evoluir."

Ruan Lucas

17. Participar da formatura.

"Tinha medo de colocarem um menino pra ser meu parzinho nas festas da escola. Inclusive esse foi um dos fatores que me levou a não ir na minha própria formatura."

Anônimo

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Apesar de alguns relatos serem pesados, todas essas pessoas da lista conseguiram passar por tudo isso e hoje estão aqui contando suas histórias. A adolescência é um período difícil pra muita gente, principalmente pra quem é LGBTI+. Se você estiver passando por algum problema, lembre-se que você não sozinho/a e busque ajuda.

Junho é o Mês do Orgulho LGBTI+, e pra você ficar por dentro dos posts do BuzzFeed Brasil sobre este tema basta clicar aqui!

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